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Caso Samarco: agora é na Holanda! Justiça europeia analisa responsabilidade da Vale em tragédia de Mariana

Processo internacional movido por fundação holandesa visa responsabilizar subsidiárias da mineradora por danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão

Por ES Fala
· 2 min de leitura · Sem comentários
Caso Samarco: agora é na Holanda! Justiça europeia analisa responsabilidade da Vale em tragédia de Mariana

A Justiça da Holanda agendou para o dia 14 de julho uma audiência inicial no processo que busca responsabilizar a mineradora Vale pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 5 de novembro de 2015, em Mariana (MG). A ação é movida pela Fundação Stichting Ações do Rio Doce, que representa cerca de 75 mil atingidos, além de diversos municípios impactados ao longo da Bacia do Rio Doce.

A barragem, operada pela Samarco — uma joint venture formada pela Vale e a mineradora anglo-australiana BHP —, liberou cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos, que percorreram 663 quilômetros até chegar ao mar no Espírito Santo. A tragédia deixou 19 mortos, devastou comunidades como Bento Rodrigues e Paracatu, e gerou impactos ambientais e sociais profundos em dezenas de municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Vale e Samarco sob nova pressão internacional

A ação judicial em curso no Tribunal Distrital de Amsterdã é respaldada pelos escritórios Lemstra Van der Korst (LDVK) e Pogust Goodhead (PG) — este último, o mesmo que representa vítimas em um processo ainda em andamento contra a BHP na Inglaterra.

De acordo com os advogados, a jurisdição holandesa é justificada pelo fato de a Samarco Iron Ore Europe BV, subsidiária da Samarco, ter sede na Holanda e ser responsável pela gestão e comercialização do minério de ferro extraído no Brasil. A Vale, por sua vez, possui a subsidiária Vale Holdings BV no mesmo país.

Em nota, a Vale afirmou que a audiência marcada é apenas uma etapa inicial e “não envolve julgamento de mérito”. A empresa reforçou que segue comprometida com a reparação integral dos danos, destacando o Acordo de Reparação homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024 como “solução definitiva e eficiente” para os atingidos no Brasil.

A Samarco também classificou a audiência como uma “fase preliminar e procedimental”, com objetivo exclusivo de definir o cronograma do processo. A mineradora afirma que sua subsidiária na Holanda atua apenas como representação comercial e “não tem qualquer envolvimento com as atividades de mineração no Brasil ou com o rompimento da barragem”.

Segundo a Samarco, o acordo firmado com autoridades brasileiras, incluindo suas acionistas, “assegura a reparação definitiva dos danos” e que os processos indenizatórios devem ser concluídos até 2026.

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