Agora

Rio Doce: julho será decisivo para as vítimas do desastre de Mariana – entenda os motivos

Audiências internacionais e reta final do programa de indenização de R$ 35 mil movimentam os bastidores da disputa por reparações aos atingidos

Por ES Fala
· 3 min de leitura Atualizado · Sem comentários
Rio Doce: julho será decisivo para as vítimas do desastre de Mariana – entenda os motivos

O mês de julho de 2025 promete ser um dos mais importantes desde o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015. O desastre, causado pelas mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton, deixou 19 mortos, destruiu comunidades inteiras e causou impactos ambientais e econômicos em toda a bacia do Rio Doce, atingindo Minas Gerais e o Espírito Santo.

Quase nove anos depois da tragédia, milhares de vítimas enfrentam uma encruzilhada entre aderir ao Programa Indenizatório Definitivo (PID) — que oferece R$ 35 mil por danos integrais — ou manter a esperança de reparações mais elevadas por meio das ações judiciais internacionais em curso na Inglaterra e na Holanda.

Inicialmente com prazo até maio, a Samarco prorrogou até 4 de julho o prazo final para adesão ao PID, programa previsto no Acordo de Repactuação homologado pela Justiça brasileira. A adesão ao PID exige a assinatura de um termo de desistência de ações judiciais, tanto no Brasil quanto no exterior.

Segundo a empresa, até agora foram 258 mil requerimentos de adesão, com 118 mil termos de quitação assinados e mais de 40 mil pagamentos realizados.

Audiência em Londres

Enquanto isso, nos dias 2 e 3 de julho, o Tribunal Superior de Londres realizará audiências que definirão o andamento da ação coletiva movida contra a BHP, controladora da Samarco. A ação, que chegou a representar cerca de 700 mil vítimas, hoje reúne cerca de 450 mil, após adesões em massa ao PID no Brasil.

O valor pedido na ação inglesa ultrapassa os R$ 260 bilhões, e a sentença final está prevista para o segundo semestre de 2025.

Por trás dos números, uma disputa intensa se desenrola: enquanto a Samarco incentiva a adesão ao PID, temendo uma eventual condenação com valores elevados, o escritório Pogust Goodhead, que lidera a ação na Inglaterra, argumenta que a ação internacional oferece reparações mais justas e superiores.

Apesar de prometer valores mais altos, o Pogust enfrenta ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelos Ministérios Públicos de Minas Gerais (MPMG) e do Espírito Santo (MPES), por supostas práticas abusivas e danos morais. O MP afirma que o objetivo da ação é garantir o direito de escolha das vítimas, sem pressão de qualquer uma das partes envolvidas.

Holanda

Outro capítulo relevante do caso ocorrerá no dia 14 de julho, quando o Tribunal Distrital de Amsterdã, na Holanda, realizará a primeira audiência da ação movida por atingidos contra a Vale e a Samarco. Esta será a estreia da Vale como ré em um tribunal internacional por conta do desastre de Mariana.

A ação é movida pela fundação Stichting Ações do Rio Doce, em nome de 75 mil vítimas, e cobra uma indenização estimada em € 3 bilhões (cerca de R$ 19,2 bilhões). A audiência tratará de questões processuais, como a definição do cronograma e escopo do julgamento de responsabilidade.

Nota da Samarco sobre ação na Holanda

Em nota oficial, a Samarco esclareceu que a audiência de 14 de julho se refere a uma fase preliminar do processo contra sua subsidiária europeia, Samarco Iron Ore Europe B.V., que atua apenas como representante comercial na Europa e não teria envolvimento direto com o rompimento da barragem.

A mineradora destacou ainda seu compromisso em concluir todos os processos indenizatórios até 2026, conforme prevê o Acordo de Reparação da Bacia do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024.

Compartilhe esta notícia

Sem comentários

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de aparecer.

Mais em Cidades

As notícias da semana no seu e-mail

Todo fim de semana, o resumo do que mais importou em Colatina, no Noroeste e no Espírito Santo. Grátis, e dá para sair quando quiser.