A Caminhoneira que desafia barreiras ao volante de um caminhão rosa

A rotina de Anailê Santos Goulart, de 35 anos, é marcada por desafios e superação. Mãe de três filhos e esposa de Lucius Hauni Ribeiro Ramos, ela se destaca nas estradas ao dirigir um caminhão rosa, símbolo de sua luta e determinação. Prestadora de serviços ao Porto de Capuaba, por meio da Associação de Carreteiros Autônomos (ACA), Anailê vem conquistando seu espaço em um setor majoritariamente masculino, inspirando outras mulheres a seguirem seus passos.

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A trajetória de Anailê no mundo dos caminhões começou há nove anos, quando decidiu mudar de profissão para estar mais próxima do marido. A princípio, a ideia parecia desafiadora, mas ao assumir o volante, encontrou sua verdadeira vocação. “Quando fui pro caminhão com ele, me apaixonei. Eu sou pequena, mas no caminhão eu me sentia grande”, conta a motorista, que mede 1,56 metro de altura.

Ao lado de Lucius, enfrentou dificuldades financeiras e estruturais, adquirindo caminhões antigos que exigiam constantes reformas. Durante a gravidez de seu segundo filho, encarou desafios ainda maiores. “Me molhava toda com a barriga crescendo, mas não deixei de lutar”, relembra. A gestação foi complicada, levando-a a interromper o trabalho um mês antes do parto. Seu filho nasceu prematuro, de sete meses, e precisou ficar internado por 21 dias. “Graças a Deus deu tudo certo”, afirma com alívio.

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Caminhoneira relata o dia a dia nas redes sociais.

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Anailê carrega consigo o apoio incondicional da família. “Meu pai não viu nada disso, faleceu quando eu tinha 19 anos. Mas com certeza ele ficaria muito orgulhoso”, diz emocionada. Seus filhos, de 7, 9 e 13 anos, têm orgulho da mãe e adoram acompanhá-la no caminhão, ainda que os trajetos sejam curtos.

Para aliviar a pressão do trabalho e manter o equilíbrio mental, Anailê encontrou no patins uma forma de descontração. “Comecei a patinar para desestressar. O Lucius sempre andou desde criança e eu sempre o acompanhava. Agora, patinamos juntos”, conta.

Hoje, seu caminhão rosa não é apenas um meio de transporte, mas um símbolo de sua resistência e coragem. Além de rodar pelas estradas, Anailê compartilha sua rotina nas redes sociais, inspirando outras mulheres a ingressarem na profissão. “No começo, eu era a única mulher na associação. Hoje, já são mais duas. E a luta continua”, diz com orgulho.

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