Justiça da Holanda determina apreensão de ativos da Vale para garantir possíveis indenizações por desastre de Mariana

Medida cautelar bloqueia ações da mineradora em subsidiária holandesa e busca assegurar recursos para vítimas do rompimento da barragem em 2015

A Justiça da Holanda determinou a apreensão cautelar de ativos da mineradora Vale SA no país, como forma de garantir recursos para o pagamento de eventuais indenizações às vítimas do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, em Mariana (MG). A decisão foi tomada pelo Tribunal Distrital de Amsterdã, no âmbito da ação coletiva movida pela fundação Stichting Ações do Rio Doce, que representa mais de 75 mil atingidos pela tragédia.

Publicidade

A medida impede que a mineradora utilize ou transfira os ativos detidos na subsidiária Vale International BV, com sede na Holanda, até que haja desfecho judicial no processo. O bloqueio dos bens tem caráter preventivo e visa assegurar que, em caso de condenação, haja fundos disponíveis para reparações aos afetados.

Segundo a defesa das vítimas, existe o risco de esvaziamento patrimonial caso a Vale decida transferir ou alienar os ativos internacionais durante a tramitação do processo. A Justiça holandesa entendeu que a precaução é legítima, considerando o histórico de impunidade e lentidão no Brasil e a dimensão dos danos causados.

Publicidade

Ação de € 3 bilhões

A ação judicial na Holanda, iniciada em 2024, pleiteia uma indenização estimada em 3 bilhões de euros (cerca de R$ 19 bilhões) por danos ambientais, sociais e econômicos. Além da Vale, a ação também inclui a Samarco Iron Ore Europe BV, outra empresa ligada ao grupo envolvido no rompimento da barragem.

Na última segunda-feira (14 de julho de 2025), o Tribunal de Amsterdã realizou uma audiência de gestão do processo, na qual foram definidos os próximos passos e o escopo do futuro julgamento de mérito. A expectativa é que o caso avance ainda neste segundo semestre.

Publicidade

Trâmite paralelo à ação no Reino Unido

A ofensiva jurídica na Holanda ocorre paralelamente ao processo bilionário em curso no Reino Unido, onde cerca de 620 mil vítimas processam a BHP por danos similares. A Justiça britânica já concluiu a fase de alegações finais, e a sentença é aguardada para o segundo semestre de 2025.

Enquanto isso, no Brasil, seguem os programas de reparação conduzidos pela Fundação Renova e o Programa de Indenização Definitiva (PID), embora amplamente criticados por sua lentidão e pela exclusão de diversas categorias de atingidos.

Notou alguma informação incorreta nesta matéria? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão abaixo e envie sua mensagem.

Notificar informação incorreta

Notou alguma informação incorreta nesta matéria? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Envie sua mensagem usando o formulário abaixo.