A recente saída de Tom Goodhead, fundador do escritório de advocacia britânico Pogust Goodhead, aumentou a tensão em torno de uma das maiores ações judiciais da história do Reino Unido. A mudança na liderança ocorre justamente em um momento decisivo do processo movido contra a mineradora BHP, que busca responsabilização e indenizações pelos danos causados pelo desastre ambiental de Mariana (MG), em 2015.
Com a troca no comando, a advogada Alicia Alinia foi anunciada como CEO interina. No entanto, sua chegada gerou uma onda de críticas nas redes sociais, especialmente entre vítimas do desastre representadas pelo escritório. Segundo o portal Diário do Poder, os desabafos se intensificaram após declarações da nova CEO, que tentou tranquilizar os clientes por meio de vídeos publicados online.
Além disso, uma reportagem do Financial Times revelou que o escritório estaria negociando um acordo de aproximadamente US$ 3 bilhões com a BHP e a Vale — valor muito inferior às cifras prometidas anteriormente aos atingidos. A informação gerou ainda mais indignação e desconfiança por parte dos brasileiros envolvidos no caso.
Tentativa de contenção de danos
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Alinia afirmou que o escritório continua “comprometido em buscar justiça para as vítimas” e garantiu que “nenhum valor de indenização foi definido até o momento”. Ela também negou rumores sobre um suposto acordo fechado nos Estados Unidos, chamando de “falso” um vídeo que circula nas redes sobre essa reunião: “Não é verdade que qualquer proposta tenha sido apresentada em nome de vocês”, afirmou.
No entanto, as declarações da nova liderança não surtiram o efeito esperado. Os comentários nas redes mostram um público cada vez mais frustrado com a lentidão do processo, descrente das promessas e exigindo mais clareza e prazos concretos. “Está virando piada”, escreveu um usuário. Outro ironizou: “Vou ser pai, meu filho vai ser pai também, vou ser avô… e esse dinheiro ainda não terá saído”.
Críticas à comunicação e preferência pelo PID
Nas postagens recentes do escritório, mesmo com o discurso de compromisso com as vítimas e os municípios afetados, prevalecem críticas à condução do caso. Muitos apontam falta de transparência, constantes adiamentos e ausência de informações claras sobre os valores e o andamento das negociações.
Além disso, cresce o número de clientes que manifestam interesse em buscar o PID (Programa de Indenização Mediada), considerado por muitos como uma alternativa mais rápida e eficaz. “PID prorrogado novamente… quem tiver apto, pegue”, sugeriu um usuário. Outro comentou: “Se tiver direito, vou entrar no PID sem pensar duas vezes”.
Outro ponto de crítica é a escolha de vídeos em inglês para se comunicar com o público brasileiro. Mesmo com legendas, a linguagem representa uma barreira para a maioria dos atingidos, já que menos de 5% dos brasileiros têm domínio do idioma. “Até quando vamos esperar?”, questionou um seguidor. “Falam, falam… e nada de concreto”, desabafou outra.
Futuro indefinido
Por enquanto, a Pogust Goodhead mantém sua posição oficial: “nenhum valor foi definido” e o julgamento que pode responsabilizar a BHP pode ocorrer “a qualquer momento”. Enquanto isso, a desconfiança dos clientes aumenta, e o futuro da ação bilionária permanece envolto em incertezas.















