A fé que move milhares de capixabas também atravessa quilômetros de estrada. Durante a Festa da Penha 2026, realizada em Vila Velha, centenas de moradores de Colatina, Linhares e de cidades do Norte e Noroeste do Espírito Santo participaram das celebrações, reforçando uma tradição que se mantém viva geração após geração.
Entre missas, romarias e momentos de oração, a presença de caravanas vindas do interior foi marcante. Ônibus, vans e até grupos que fizeram parte do trajeto a pé demonstraram o quanto a devoção ultrapassa distâncias.
Tradição que atravessa gerações
Morador de Marilândia, o agricultor João Batista, de 58 anos, conta que participa da festa há mais de duas décadas.
“Todo ano eu venho. A gente se organiza com amigos, pega estrada de madrugada, mas quando chega aqui e vê essa multidão rezando junto, tudo vale a pena”, disse.
De Colatina, a comerciante Ana Paula destacou o sentimento coletivo vivido durante as romarias.
“A gente encontra pessoas de todo o Estado, mas parece que todo mundo é da mesma família. É um momento de muita emoção e renovação da fé”, afirmou.
Já em Linhares, o jovem estudante Lucas Almeida participou pela primeira vez e se impressionou com a dimensão do evento.
“Eu já tinha ouvido falar, mas ver de perto é diferente. É muita gente, muita organização e uma energia muito forte”, relatou.
De São Gabriel da Palha, a aposentada Maria das Dores ressaltou o significado espiritual da participação.
“Venho para agradecer e pedir proteção para minha família. É uma tradição que eu faço questão de manter todos os anos”, contou.
Fé que movimenta o Espírito Santo
Considerada uma das maiores manifestações religiosas do Brasil, a Festa da Penha reúne milhões de fiéis ao longo de nove dias de programação, com destaque para a tradicional Romaria dos Homens, uma das maiores do país.
Além do aspecto religioso, o evento também movimenta o turismo e a economia, atraindo visitantes de diversas regiões do Espírito Santo — especialmente do interior, onde a devoção à padroeira é fortemente enraizada.
Para os moradores do Norte e Noroeste, a participação na festa vai além de um simples deslocamento. Trata-se de um compromisso com a fé, com a tradição e com a identidade cultural capixaba, que se renova a cada edição.













