Quem circulou pelas ruas e rodovias de Marilândia na manhã desta segunda-feira (8) se deparou com uma paisagem incomum. A visibilidade reduzida e o aspecto acinzentado levaram muitos moradores a acreditar que o município estava coberto por uma intensa neblina. No entanto, o fenômeno tinha outra origem: uma densa camada de fumaça gerada pelos secadores de café em funcionamento na região.
Com a colheita do café em pleno andamento, os secadores operam em ritmo acelerado para atender à demanda dos produtores. Grande parte desses equipamentos utiliza a própria palha do café como combustível para alimentar as fornalhas, o que resulta na emissão de fumaça que acaba se espalhando por áreas urbanas e rurais.
Além de alterar a paisagem, a fumaça provoca preocupação por causa dos impactos na saúde e na segurança. A redução da visibilidade pode aumentar o risco de acidentes nas estradas da região, enquanto a concentração de partículas no ar tende a agravar problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
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“Quem vê o vídeo pensa que é neblina”, diz morador/Crédito leitor
Tecnologia pode reduzir impactos
Diante desse cenário, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em parceria com órgãos ligados ao setor agrícola, vem incentivando a adoção de tecnologias mais limpas para a secagem do café.
Uma das alternativas é a utilização de queimadores a gás em substituição à queima tradicional de lenha e palha. Segundo especialistas, a mudança pode trazer benefícios ambientais, econômicos e também para a qualidade do produto final.
Entre as vantagens apontadas estão a eliminação da emissão de fumaça, fuligem e poeira na atmosfera, além de um controle mais preciso da temperatura durante o processo de secagem.
A estabilidade térmica proporcionada pelo sistema a gás também ajuda a preservar a qualidade dos grãos, evitando superaquecimentos que podem comprometer características importantes do café, especialmente na produção de cafés especiais.
Desafio para o futuro
A discussão sobre alternativas para os secadores ganha força justamente em um município que tem na cafeicultura uma de suas principais atividades econômicas. A adoção de tecnologias menos poluentes é vista por especialistas como uma forma de conciliar o fortalecimento da produção agrícola com a preservação da qualidade do ar, a segurança no trânsito e a saúde da população.
Enquanto a colheita segue em ritmo intenso, a fumaça dos secadores continua sendo uma realidade presente em Marilândia, reacendendo o debate sobre soluções que permitam reduzir seus impactos sem comprometer a atividade cafeeira.








