MP denuncia sócios de empresa e operador por morte em tirolesa no Espírito Santo

Acusação aponta falhas graves de segurança e fraude processual após acidente que matou engenheiro durante atividade de aventura em 2021

Quatro pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por envolvimento na morte do engenheiro João Paulo Sampaio dos Reis, ocorrida durante um acidente em uma tirolesa no dia 1º de maio de 2021. A denúncia foi apresentada no último dia 1º de junho e acusa os investigados pelos crimes de homicídio culposo e fraude processual.

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Nesta terça-feira (23), o juiz de garantias determinou o encaminhamento do processo ao magistrado que ficará responsável pela condução da ação penal.

Entre os denunciados estão os sócios da empresa Eco Vertical Turismo de Aventuras Ltda e o operador do equipamento utilizado no momento do acidente. Segundo o Ministério Público, foram denunciados:

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  • Gustavo Lira da Silva Rocha, operador do equipamento;
  • Geovane Lutes Rodolfo, bombeiro militar e sócio-administrador da empresa;
  • Marloyllner Fernandes, bombeiro militar à época dos fatos e sócio-administrador da empresa;
  • Alex Sandro Melo Magnago, sócio-administrador da empresa.

Denúncia cita retirada de equipamentos

De acordo com a acusação, o caso apresenta semelhanças com uma tragédia registrada em São Paulo durante a prática de rope jump, que teve repercussão nacional. Conforme a denúncia, após o acidente ocorrido no Espírito Santo, equipamentos de segurança teriam sido retirados do local antes da chegada das autoridades responsáveis pela investigação.

Por esse motivo, além do homicídio culposo, os envolvidos também foram denunciados por suposta fraude processual.

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Falhas consideradas críticas

Segundo as investigações da Polícia Civil, concluídas em janeiro deste ano, houve uma sequência de falhas operacionais e de segurança consideradas determinantes para o acidente fatal.

O Ministério Público relata que um funcionário sem treinamento técnico adequado realizou a conexão da polia da vítima ao cabo de aço e liberou a trava de segurança antes mesmo da instalação do sistema de frenagem manual.

Sem o freio devidamente acoplado, João Paulo teria sido lançado em queda livre ao longo de aproximadamente 100 metros, atingindo velocidade média de 42,5 quilômetros por hora.

Ainda conforme a denúncia, a vítima colidiu contra uma plataforma intermediária, o que provocou o rompimento dos equipamentos de segurança e o arremesso ao solo. O engenheiro morreu no local em decorrência de traumatismo torácico.

Acidente ocorreu diante da filha

No dia da tragédia, João Paulo Sampaio dos Reis participava da atividade acompanhado da filha, que tinha 14 anos na época, e de uma amiga da adolescente.

Ao justificar a denúncia, o Ministério Público sustenta que os investigados “praticaram homicídio culposo, mediante a inobservância das regras técnicas da profissão, por meio de negligência na estrutura física da tirolesa e na imperícia operacional”, condutas que, segundo a acusação, resultaram na morte da vítima.

Agora, caberá à Justiça analisar a denúncia e decidir sobre o prosseguimento da ação penal.

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