Morreu em Brasília, aos 86 anos, o ex-deputado estadual, ex-deputado federal constituinte e ex-morador de Baixo Guandu, Nelson Alves de Aguiar. Natural de Pinheiros, no Norte do Espírito Santo, ele completou 86 anos no último dia 5 de maio e deixa um legado marcado pela atuação política, pela defesa da democracia e pela luta em favor dos direitos das crianças e dos adolescentes.
O velório será realizado a partir das 13 horas deste domingo (28), na Capela 6 do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, em Brasília. O sepultamento está previsto para o fim da tarde.
Antes de consolidar sua trajetória política, Nelson Aguiar morou por cerca de dois anos em Baixo Guandu, entre o fim da década de 1960 e o início dos anos 1970. No município, atuou como professor em um colégio estadual. Curiosamente, outros dois docentes da mesma instituição também seguiram carreira política e chegaram à Assembleia Legislativa: Wilson Haese e Armando Viola.
Jornalista, advogado criminalista e professor, Nelson Aguiar tornou-se um dos principais nomes do MDB durante o período de oposição ao regime militar instaurado em 1964. Foi deputado estadual entre 1979 e 1983 e, em seguida, assumiu mandato como deputado federal, participando da Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição Federal de 1988.
Durante sua atuação no Congresso Nacional, dedicou grande parte de seu trabalho à defesa dos direitos da infância e da juventude. Em 1989, apresentou o Projeto de Lei nº 1.506, considerado uma das principais propostas que serviram de base para a elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sancionado em 1990. Apesar da contribuição, Nelson Aguiar afirmava que nunca recebeu o reconhecimento que acreditava merecer pela autoria da iniciativa.
Entre 1985 e 1986, presidiu a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem), onde defendeu mudanças profundas na política de atendimento às crianças e adolescentes, substituindo o antigo modelo do Código de Menores por uma política de proteção integral.
Também publicou livros voltados à defesa dos direitos da infância, entre eles Menor abandonado — ação social integrada nos municípios e O menor e a constituinte, reforçando a necessidade de garantir prioridade absoluta às crianças e adolescentes na Constituição de 1988.
Ao longo da carreira, Nelson Aguiar também exerceu o cargo de secretário de Bem-Estar Social do Espírito Santo. Foi um dos participantes da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) no Estado, em 1979, e posteriormente filiou-se ao PDT, legenda inspirada nas ideias de Leonel Brizola, de quem era admirador.
Viúvo de Beatrice Eugenie Maciel de Aguiar há cerca de dez anos, deixa quatro filhos. Membro da Igreja Batista durante toda a vida, nunca integrou a chamada bancada evangélica, mantendo uma atuação política voltada principalmente às causas sociais, à defesa da democracia e da proteção dos direitos da criança e do adolescente.











