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Júri de oito réus acusados de envolvimento na morte de “Manelão” será realizado em Colatina

Tribunal de Justiça determinou a transferência do julgamento de São Domingos do Norte; decisão considera risco à imparcialidade dos jurados no município

Por ES Fala
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Júri de oito réus acusados de envolvimento na morte de “Manelão” será realizado em Colatina

O julgamento dos oito réus acusados de envolvimento no assassinato de Manuel Alves Ribeiro, de 59 anos, conhecido como “Manelão”, será realizado em Colatina. A transferência foi determinada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), após pedido de desaforamento apresentado pelo juiz Ralph Rocha de Souza, da Vara de São Domingos do Norte.

Ainda não há data definida para a realização do Tribunal do Júri.

Manelão, pai de um ex-secretário de Obras de São Domingos do Norte, foi assassinado a tiros no dia 29 de julho de 2023, durante um evento realizado no município.

O pedido para que o júri deixasse São Domingos do Norte foi fundamentado, entre outros pontos, no tamanho da cidade, na notoriedade da vítima e no risco de que relações pessoais entre moradores, vítima, acusados e testemunhas pudessem comprometer a formação de um Conselho de Sentença imparcial.

São réus no processo Mirian Uliana Verli, Lúcio César Canal, Judicael dos Santos Ferreira Filho, conhecido como “Lulinha Baiano”, Gerson Nunes Pereira, conhecido como “Gelsinho” ou “Coroa”, Rahy Pereira de Souza Pimenta, conhecido como “Rai”, Ezequiel Figueiredo dos Santos, conhecido como “Rick” ou “Henrique”, Eduardo dos Santos de Oliveira, conhecido como “Dudu”, e Douglas de Oliveira Loures, conhecido como “D2” ou “Boldo”.

Juiz apontou risco à imparcialidade

Ao solicitar o desaforamento, o magistrado ressaltou que São Domingos do Norte possui pouco mais de 9 mil habitantes e que o processo envolve oito réus, além de um número elevado de testemunhas de acusação e defesa.

Segundo o juiz, essa realidade aumentaria significativamente a possibilidade de os jurados sorteados possuírem algum tipo de vínculo com pessoas envolvidas no processo.

O magistrado também destacou a notoriedade de Manelão no município. Após sua morte, a vítima chegou a ser homenageada pelo poder público municipal, que deu seu nome a um residencial popular.

Outro aspecto mencionado na decisão envolve a atividade de empréstimo de dinheiro a juros que, conforme consta na acusação, seria exercida pela vítima. A denúncia relaciona a motivação do homicídio a uma disputa envolvendo dívida e um imóvel.

Para o juiz, essas circunstâncias poderiam produzir diferentes sentimentos entre moradores eventualmente convocados para integrar o júri e colocar em dúvida a necessária imparcialidade do julgamento.

O magistrado também considerou a gravidade das circunstâncias descritas no processo, que envolve a acusação de um crime encomendado e o emprego de uma submetralhadora.

“Em uma cidade pequena, o temor de represálias por parte dos jurados é um risco palpável, podendo afetar a liberdade de convencimento e a imparcialidade do veredito”, registrou o juiz no pedido apresentado ao TJES.

Após o acolhimento do desaforamento, o magistrado determinou a intimação das partes e o envio do processo para a Comarca de Colatina.

Acusação aponta execução encomendada

Os oito acusados foram pronunciados em dezembro de 2025, decisão que determinou que eles fossem submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Segundo a denúncia, Manelão teria sido vítima de um homicídio planejado, com diferentes funções atribuídas aos acusados na preparação e execução do crime.

A acusação sustenta que Douglas de Oliveira Loures teria efetuado os disparos, supostamente mediante promessa de recompensa feita por Judicael dos Santos Ferreira Filho.

Rahy Pereira de Souza Pimenta e Ezequiel Figueiredo dos Santos teriam atuado na intermediação entre o suposto mandante e o executor. Rahy também é acusado de auxiliar financeiramente na fuga.

Ainda conforme a denúncia, Gerson Nunes Pereira teria recebido o executor em São Domingos do Norte e repassado orientações. Eduardo dos Santos de Oliveira teria buscado Douglas na rodoviária, escondido a submetralhadora mencionada no processo e permanecido no local durante a execução.

Posteriormente, após o avanço das investigações e análise de dados telefônicos, a acusação foi ampliada para incluir Lúcio César Canal e Mirian Uliana Verli como supostos coautores do homicídio.

As defesas contestaram as acusações durante o processo e apresentaram pedidos de impronúncia ou absolvição sumária. Com a decisão de pronúncia mantida, caberá agora ao Tribunal do Júri analisar as acusações e decidir sobre eventual responsabilidade penal de cada réu.

O assassinato

Manelão foi atingido por diversos disparos durante uma festa realizada no chamado “Ferro Velho do Vanoli”, em São Domingos do Norte, em 29 de julho de 2023.

Segundo as informações divulgadas na época, o estabelecimento possuía segurança privada. O autor dos disparos teria conseguido chegar ao local por uma área de mata e fugido pelo mesmo caminho após o crime.

Manuel Alves Ribeiro chegou a ser socorrido por uma ambulância do município, mas morreu antes de dar entrada no hospital.

Com a transferência determinada pela Justiça, um dos julgamentos de maior repercussão recente em São Domingos do Norte terá seu desfecho no Tribunal do Júri de Colatina. A data ainda deverá ser definida pela Justiça.

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