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Baixo Guandu poderá receber investimento de R$ 7,4 bilhões para construção de centro de inteligência artificial

Empreendimento previsto para o Noroeste do Espírito Santo pretende atender gigantes internacionais da tecnologia, gerar empregos e ampliar a arrecadação do município. Projeto ainda depende de licenças e autorizações.

Por Élcio Rissi
Jornalista · Cobertura regional · Colaborador
· 5 min de leitura · Sem comentários
Baixo Guandu poderá receber investimento de R$ 7,4 bilhões para construção de centro de inteligência artificial

O município de Baixo Guandu, poderá se tornar um importante polo de tecnologia e inteligência artificial no Brasil. Um grupo de investidores capixabas, em parceria com empresas e fundos de investimento, desenvolve um projeto estimado em R$ 7,4 bilhões para instalar um gigantesco centro de processamento de dados voltado ao mercado internacional.

O empreendimento, conhecido como data center, terá capacidade inicial prevista de 100 megawatts (MW) e será destinado principalmente ao processamento e armazenamento de informações utilizadas por sistemas de inteligência artificial. A proposta é atender empresas de diferentes países, incluindo grandes companhias mundiais de tecnologia.

O empresário Mário Rodrigues, um dos participantes do projeto, explica que o objetivo não é atender exclusivamente ao mercado brasileiro, mas oferecer infraestrutura tecnológica para clientes internacionais.

A iniciativa ainda está em fase de planejamento e desenvolvimento técnico. Entre as etapas necessárias estão a elaboração dos projetos de engenharia, a obtenção das licenças ambientais e as autorizações para conexão à rede de energia elétrica. Segundo o investidor, esses procedimentos podem levar de dois a três anos.

Área escolhida fica a nove quilômetros de Baixo Guandu

O terreno destinado ao empreendimento possui aproximadamente 11,3 milhões de metros quadrados e está localizado a nove quilômetros da área urbana de Baixo Guandu.

A escolha do município está diretamente relacionada à infraestrutura disponível na região. Um dos principais atrativos é a proximidade com a Usina Hidrelétrica de Mascarenhas, considerada a maior geradora de energia elétrica do Espírito Santo.

Outro fator importante é a presença de três linhas de alta tensão ligadas ao Sistema Interligado Nacional, que atravessam a propriedade e podem favorecer o fornecimento de energia necessário ao funcionamento do complexo.

A Estrada de Ferro Vitória-Minas também representa uma vantagem estratégica. Ao longo da ferrovia passa uma infraestrutura de fibra óptica que permite a conexão entre a Região Metropolitana de Belo Horizonte e a rede internacional de comunicação que chega ao Espírito Santo por cabos submarinos.

Essa combinação de energia elétrica, conectividade e disponibilidade de terreno foi determinante para a escolha de Baixo Guandu, conforme os responsáveis pelo investimento.

Projeto poderá alcançar capacidade dez vezes maior

O complexo será construído em módulos, permitindo que a estrutura seja ampliada de acordo com a demanda dos clientes.

Inicialmente, a capacidade prevista é de 100 MW, mas o planejamento contempla a possibilidade de expansão futura para até 1 gigawatt (GW), equivalente a dez vezes a capacidade inicial.

A estrutura será preparada para receber equipamentos de processamento de alto desempenho, utilizados em aplicações avançadas de inteligência artificial e computação em nuvem.

Antes de iniciar a construção, os investidores pretendem realizar apresentações internacionais do projeto para atrair empresas interessadas na contratação antecipada da infraestrutura.

A expectativa é negociar contratos de longo prazo, com duração de aproximadamente 20 anos e pagamentos em dólar, buscando assegurar a ocupação do empreendimento antes do início das obras.

Proximidade com o Rio Doce também influenciou a escolha

A disponibilidade de água foi outro aspecto considerado no planejamento.

Grandes centros de processamento de dados precisam de sistemas de refrigeração para controlar a temperatura dos servidores, que produzem calor durante o funcionamento.

Segundo Mário Rodrigues, o empreendimento utilizará um sistema de resfriamento em circuito fechado, no qual a água circula continuamente.

O empresário afirma que a perda mensal por evaporação, considerando o módulo inicial de 100 MW, seria equivalente ao consumo de três residências populares com quatro moradores cada.

Essa estimativa foi apresentada pelo investidor e dependerá de comprovação técnica e avaliação durante o licenciamento ambiental.

Investimento poderá gerar até 500 empregos durante as obras

Além da dimensão tecnológica, o projeto apresenta perspectivas econômicas para Baixo Guandu e municípios vizinhos.

A estimativa dos investidores é de que a implantação do complexo gere entre 300 e 500 empregos diretos nas atividades de construção civil, montagem e instalação dos equipamentos.

Após o início das operações, o número de trabalhadores diretos deverá ser menor, correspondendo a aproximadamente 10% do contingente empregado durante a construção.

Os postos permanentes serão direcionados principalmente a profissionais especializados, como técnicos e engenheiros responsáveis pela manutenção e operação da infraestrutura.

A movimentação econômica também poderá alcançar hotéis, restaurantes, estabelecimentos comerciais e empresas prestadoras de serviços.

Prefeitura poderá arrecadar até R$ 60 milhões por ano

Um dos números que mais chamam a atenção no projeto é a projeção de arrecadação municipal.

De acordo com Mário Rodrigues, o empreendimento poderá registrar faturamento anual superior a R$ 1 bilhão quando estiver em operação.

Com base nessa expectativa, o investidor estima que a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) poderá alcançar entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões por ano para Baixo Guandu, considerando uma alíquota de 5%.

O valor, entretanto, representa uma projeção empresarial e não uma receita já garantida. A arrecadação efetiva dependerá da atividade desenvolvida, do enquadramento tributário, da legislação aplicável e do faturamento realizado.

Quando começam as obras?

Apesar do investimento bilionário anunciado, ainda não existe uma data definitiva para o início da construção.

O projeto precisa superar etapas técnicas, ambientais, regulatórias e comerciais antes de entrar na fase de execução.

A concretização do empreendimento também dependerá da formalização dos contratos com futuros clientes e da estruturação financeira do investimento.

Caso seja implantado conforme o planejamento apresentado, o complexo poderá representar uma mudança importante no perfil econômico de Baixo Guandu, tradicionalmente ligado a atividades comerciais, agropecuárias e industriais, acrescentando a tecnologia de processamento de dados à economia regional.

O Portal ES FALA destaca que os valores de investimento, geração de empregos, faturamento e arrecadação são projeções divulgadas pelos responsáveis pelo empreendimento e ainda dependem da efetiva implantação do projeto.

ES FALA: imagem ilustrativa.

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