Economia do Espírito Santo cresce mais que o dobro da média brasileira no primeiro semestre
A economia do Espírito Santo apresentou crescimento de 4,4% nos primeiros seis meses do ano, desempenho superior ao dobro da expansão registrada pela economia brasileira no mesmo período, de 1,9%.

Os números fazem parte do Indicador de Atividade Econômica (IAE), elaborado pelo Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), e mostram que a indústria extrativa foi um dos principais motores do crescimento capixaba.
O avanço foi impulsionado principalmente pela produção de petróleo e gás natural e pela mineração, com empresas como Petrobras, Vale, Samarco e Prio ampliando a produção.
Petróleo e gás avançam 49,1%
O desempenho da indústria de petróleo e gás chama atenção. No primeiro semestre, a atividade apresentou crescimento de 49,1%.
Entre os fatores que contribuíram para o resultado estão investimentos realizados anteriormente no setor offshore e o aumento da produção, incluindo os resultados relacionados à plataforma Maria Quitéria.
Outro segmento importante para a economia capixaba também apresentou expansão expressiva. A pelotização de minério de ferro cresceu 18,7% no período.
Com isso, a produção de bens primários continua exercendo forte influência sobre o desempenho econômico do Espírito Santo.
O desafio, segundo representantes da indústria, é aproveitar a disponibilidade dessas matérias-primas para ampliar a produção de bens industrializados dentro do próprio Estado.
“Precisamos agregar cada vez mais valor ao produto fabricado no Espírito Santo e não apenas vender o produto bruto”, afirmou o presidente da Findes, Paulo Baraona.
Investimentos serão necessários para manter crescimento
Apesar dos números positivos, o desempenho da indústria extrativa também apresenta desafios para os próximos anos.
A economista-chefe do Observatório da Indústria, Marília Silva, destaca que parte dos resultados atuais decorre de investimentos realizados anteriormente por grandes empresas.
Segundo ela, a continuidade dos investimentos será importante diante da perspectiva de redução da atividade em poços da Bacia de Campos.
“A indústria extrativa está colhendo hoje, tanto da Samarco e da Petrobras, os seus investimentos do passado”, afirmou.
Papel e celulose recuam 6,5%
Nem todos os segmentos industriais acompanharam o forte crescimento.
A atividade de papel e celulose apresentou queda de 6,5%. Um dos fatores apontados para o resultado é a redução da demanda da China, importante destino da produção brasileira.
A situação merece atenção no Espírito Santo devido ao peso da Suzano no setor e à participação do mercado chinês nas exportações da companhia.
Carne bovina pressiona setor de alimentos
Outro resultado negativo apareceu na produção de alimentos.
O setor registrou queda de 9,3%, enquanto a pecuária recuou 7,5%.
Segundo a análise do Observatório da Indústria, a redução da produção de gado de corte e carne bovina contribuiu para o desempenho, atingindo tanto produtos frescos quanto congelados.
A inflação dos combustíveis também aparece entre as preocupações da indústria por seu impacto direto sobre os custos de transporte e logística.
Transporte cresce junto com atividade industrial
O setor de serviços cresceu 1,6% no primeiro semestre. Dentro desse segmento, os transportes avançaram 2,9%.
Parte desse crescimento está relacionada justamente ao aumento da produção industrial. Atividades extrativas demandam uma grande estrutura de transporte para movimentação da produção.
O comércio de bens e serviços, por sua vez, cresceu 2%, mas apresenta desaceleração quando comparado ao forte movimento registrado após a pandemia.
Endividamento das famílias, inflação e capacidade de consumo estão entre os fatores que podem limitar uma expansão mais forte.
Consumo de energia aumenta 7%
Outro indicador que acompanha o aumento da atividade econômica é o consumo de energia.
O segmento de energia e saneamento cresceu 7,9% no primeiro semestre.
Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que o consumo de eletricidade no Espírito Santo aumentou 7% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O crescimento ocorreu em todas as classes: indústria, 8,7%; residências, 7,4%; comércio, 6,1%; e demais consumidores, 3,3%.
Construção civil cresce mesmo com juros elevados
A construção civil também terminou o semestre no campo positivo, com expansão de 2,7%.
O desempenho ocorre mesmo em um ambiente de juros elevados, que encarece o financiamento de novos empreendimentos e a aquisição de imóveis pelas famílias.
Por ser uma atividade bastante dependente do crédito, a evolução dos juros permanece como um dos fatores importantes para o desempenho do setor nos próximos meses.




