Agora

Disputa entre escritórios sobre processo de Mariana na Inglaterra gera dúvidas entre atingidos

Comitê de Clientes anunciou a substituição da Pogust Goodhead pela Bailey Glasser International, mas escritório britânico contesta decisão e afirma que continua representando centenas de milhares de brasileiros

Por ES Fala
· 4 min de leitura Atualizado · Sem comentários
Disputa entre escritórios sobre processo de Mariana na Inglaterra gera dúvidas entre atingidos

Uma disputa envolvendo a representação dos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ganhou força nesta semana e pode interessar diretamente a milhares de moradores da Bacia do Rio Doce que participam da ação contra a BHP na Justiça inglesa.

O Comitê de Clientes do litígio de Mariana decidiu indicar a Bailey Glasser International (BGI) para assumir a condução do processo no lugar da Pogust Goodhead. A decisão, entretanto, é contestada pelo escritório britânico, que afirma continuar responsável pela representação de centenas de milhares de brasileiros.

A controvérsia ocorre justamente em um momento importante do processo, depois de a Justiça inglesa ter reconhecido a responsabilidade da BHP pelo desastre e enquanto o caso avança para a fase que discutirá perdas, danos e eventuais valores de indenização.

Comitê anuncia mudança

Segundo comunicado divulgado pela Bailey Glasser International, o Comitê de Clientes decidiu, em 29 de agosto, encerrar a relação do grupo que representa com a Pogust Goodhead e indicar a BGI para dar continuidade ao processo.

A decisão teria sido tomada por unanimidade.

A Bailey Glasser afirma que o comitê representa a maioria dos clientes envolvidos na ação inglesa, incluindo autores individuais e integrantes de comunidades indígenas e quilombolas, além de outras categorias de atingidos.

O novo escritório contará com o apoio da Hausfeld & Co LLP, sediada em Londres.

A BGI sustenta ainda que a mudança não reinicia o processo nem altera eventual direito dos atingidos à indenização. Segundo o escritório, neste momento os clientes não precisam tomar nenhuma providência imediata.

Pogust Goodhead contesta decisão

A Pogust Goodhead, entretanto, apresentou uma versão diferente.

O escritório afirma que o Comitê de Clientes não possui autoridade para encerrar sua representação em nome do conjunto de atingidos envolvidos na ação.

Segundo manifestação divulgada pelo escritório, a Pogust Goodhead continua representando centenas de milhares de brasileiros e o processo segue normalmente.

A banca também levantou preocupação em relação à proteção dos clientes contra eventuais custos do processo. Segundo a Pogust Goodhead, mecanismos de seguro relacionados ao litígio foram estruturados considerando sua atuação na representação dos atingidos.

Do outro lado, a Bailey Glasser sustenta que, conforme os contratos que regem a relação entre os clientes e seus representantes, o Comitê possui autoridade para determinar a mudança.

Dessa forma, existe atualmente uma divergência jurídica sobre o alcance dos poderes do Comitê de Clientes e sobre quem efetivamente deve conduzir a representação de grande parte dos atingidos daqui para frente.

Mais de 420 mil atingidos são citados

A Bailey Glasser International afirma que assumirá a representação de mais de 420 mil brasileiros.

O escritório reúne profissionais que anteriormente participaram da própria equipe da Pogust Goodhead responsável pelo caso Mariana, argumento utilizado pela nova representação para defender que haverá continuidade na condução do processo.

A Pogust Goodhead, por sua vez, rejeita a transferência coletiva e sustenta que permanece como representante dos clientes.

A discussão sobre quem representa os atingidos ainda pode ter novos capítulos.

Processo entra em fase decisiva

A disputa acontece em um momento especialmente importante.

Em novembro de 2025, a Justiça inglesa considerou a BHP responsável pelo desastre. Em maio deste ano, a tentativa da empresa de obter autorização para recorrer dessa decisão foi rejeitada pela Corte de Apelação.

Agora, o processo caminha para uma nova etapa, que deverá analisar questões relacionadas à relação entre o desastre e os prejuízos alegados pelos atingidos, além das perdas e dos valores das indenizações.

O julgamento dessa fase está previsto para começar em abril de 2027.

Por isso, a mudança anunciada na representação jurídica chama atenção principalmente pela dimensão da ação e pelo número de brasileiros envolvidos.

O que muda para o atingido neste momento?

Apesar da disputa entre os escritórios, não há indicação de que o processo judicial tenha sido cancelado ou precise começar novamente.

A Bailey Glasser afirma que os pedidos de indenização existentes continuam normalmente e orienta os atingidos representados pelo Comitê a não tomar nenhuma providência imediata.

Já a Pogust Goodhead sustenta que continua responsável pela representação de centenas de milhares de clientes e questiona a validade da decisão tomada pelo comitê.

Diante das versões divergentes, atingidos devem ter cautela com mensagens, pedidos de documentos, cobranças ou orientações que possam circular pelas redes sociais e aplicativos de mensagens em nome do processo.

A definição sobre quem efetivamente representa cada grupo de clientes e os possíveis efeitos da disputa deverá ganhar novos esclarecimentos à medida que o caso avance na Inglaterra.

Compartilhe esta notícia

Sem comentários

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de aparecer.

Mais em Cidades

As notícias da semana no seu e-mail

Todo fim de semana, o resumo do que mais importou em Colatina, no Noroeste e no Espírito Santo. Grátis, e dá para sair quando quiser.