Novo Acordo libera mais R$ 1,2 bilhão para o Rio Doce; veja onde o dinheiro está sendo aplicado
Recursos anunciados envolvem saúde, meio ambiente e fomento econômico; indenizações do PID já superam R$ 11,6 bilhões, enquanto municípios e comunidades seguem acompanhando a execução da reparação.

Mais de uma década depois do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), novos recursos bilionários continuam sendo movimentados dentro da reparação dos danos causados à Bacia do Rio Doce.
Desde junho de 2026, mais de R$ 1,2 bilhão em novos pagamentos e repasses foi direcionado a diferentes frentes previstas no Novo Acordo do Rio Doce. Os recursos envolvem saúde, conservação ambiental, unidades de conservação e fomento econômico.
Para municípios capixabas ligados à Bacia do Rio Doce e para comunidades que convivem há anos com as consequências do desastre, porém, uma questão continua fundamental: para onde está indo o dinheiro e quais ações efetivamente chegam aos territórios atingidos?
Entre os novos valores anunciados estão R$ 243 milhões para saúde, R$ 850 milhões para conservação ambiental, R$ 87,6 milhões para fomento econômico em Mariana e outros R$ 32,4 milhões destinados à gestão de unidades de conservação federais.
R$ 243 milhões para saúde
Em junho, o Ministério da Saúde liberou R$ 243 milhões para 49 municípios, destinados a ações e projetos de saúde pública.
Esse montante faz parte dos R$ 1,8 bilhão destinados a políticas e ações de responsabilidade e execução direta dos municípios.
No conjunto do Novo Acordo, estão previstos R$ 12 bilhões para a área da saúde.
A aplicação desses recursos é especialmente relevante para as populações que vivem ao longo da Bacia do Rio Doce, onde os impactos do desastre ultrapassaram a questão ambiental e passaram a envolver também demandas sociais e de saúde pública.
R$ 850 milhões para meio ambiente
A maior parcela dos novos recursos anunciados está relacionada ao meio ambiente.
O Governo de Minas Gerais destinou, em junho, R$ 850 milhões para 17 unidades de conservação, distribuídas por 39 municípios da Bacia do Rio Doce.
As ações, executadas pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), incluem consolidação das áreas protegidas, prevenção de incêndios florestais e regularização fundiária.
O valor chama atenção porque representa sozinho a maior parte do R$ 1,2 bilhão anunciado nesta nova etapa.
Espírito Santo recebe recursos para áreas protegidas
Também existem ações específicas envolvendo território capixaba.
Em agosto, o BNDES realizou um repasse de R$ 32,4 milhões do Fundo Rio Doce para ações de gestão em sete unidades de conservação federais situadas no Espírito Santo e na Bahia.
As medidas serão executadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e integram um projeto de R$ 76,54 milhões, com liberações previstas até 2028.
Entre as áreas contempladas está a Floresta Nacional de Goytacazes, em Linhares, além de unidades costeiras no Espírito Santo e áreas protegidas na Bahia.
Também houve manifestação de órgãos públicos confirmando o atendimento de obrigação relacionada à transferência de R$ 43 milhões para áreas protegidas no Espírito Santo.
Outras medidas ambientais incluem renaturalização de habitat aquático e planos de monitoramento da água e dos sedimentos da Bacia do Rio Doce.
Fundo Rio Doce já reúne cerca de R$ 11 bilhões
Outro braço financeiro importante da reparação é o Fundo Rio Doce, administrado pelo BNDES.
Somando aportes e rendimentos, o Fundo já teria recebido aproximadamente R$ 11 bilhões.
Em junho, foram liberados R$ 24,5 milhões para a gestão de projetos em comunidades, trabalho que ficará a cargo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Separadamente, o Novo Acordo prevê R$ 5 bilhões para o Fundo de Participação Social, destinado ao financiamento de projetos definidos por mecanismos de participação social estabelecidos no próprio acordo.
Em agosto, foi aprovado ainda o regimento interno do Comitê Financeiro do Fundo Rio Doce, responsável pelo acompanhamento da aplicação desses recursos.
Mariana recebe R$ 87,6 milhões para fomento econômico
Outra parcela anunciada, de R$ 87,6 milhões, está destinada ao fomento econômico em Mariana, município mineiro onde ocorreu o rompimento da barragem de Fundão.
Esse recurso possui natureza específica e é apresentado separadamente das demais transferências destinadas à reparação da Bacia do Rio Doce.
Indenizações ultrapassam R$ 11,6 bilhões
Paralelamente aos investimentos públicos e ambientais, seguem os pagamentos individuais.
O Programa Indenizatório Definitivo (PID) encerrou em 15 de agosto o período para apresentação de novos pedidos.
Segundo os dados divulgados, desde a abertura do programa, em fevereiro de 2025, foram pagos mais de R$ 11,6 bilhões a aproximadamente 316,8 mil pessoas.
O encerramento do prazo não significa, entretanto, que todos os pagamentos terminaram. Processos apresentados dentro do período estabelecido continuam sendo analisados, e o número de pessoas indenizadas ainda pode aumentar.
Mais de R$ 42 bilhões destinados até abril
Considerando pagamentos aos entes públicos, indenizações e auxílios financeiros à população, R$ 42,11 bilhões haviam sido destinados no âmbito do Novo Acordo até abril de 2026, segundo os dados apresentados.
Fernanda Lavarello, diretora de Assuntos Corporativos e Comunicação da BHP Brasil, afirma que os avanços são resultado da atuação conjunta dos responsáveis pela implementação do acordo, do Poder Público e das instâncias de participação social.
A BHP é uma das acionistas da Samarco e afirma manter apoio ao cumprimento das obrigações estabelecidas no Novo Acordo.
E quanto efetivamente chega às cidades atingidas?
Os números mostram a dimensão financeira da reparação, mas também tornam cada vez mais importante o acompanhamento da destinação concreta dos recursos.
Para cidades capixabas diretamente relacionadas à Bacia do Rio Doce, a exemplo de Colatina e Linhares, não basta conhecer apenas o valor global movimentado pelo Novo Acordo. É necessário acompanhar quais projetos são destinados a cada município, quanto efetivamente é liberado, como o dinheiro é aplicado e quais resultados chegam à população.
Com bilhões de reais previstos para os próximos anos, a discussão sobre a reparação entra em uma nova fase: além de cobrar recursos, cresce a necessidade de acompanhar onde cada parcela desse dinheiro será aplicada e que transformação produzirá nas comunidades atingidas pelo desastre do Rio Doce.




