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Justiça manda prender empresário do setor imobiliário de Santa Teresa por suspeitas de crimes ambientais

Dono da Caravaggio Imóveis é alvo de prisão preventiva após denúncia envolvendo supressão de Mata Atlântica; MPES apontou histórico de ações por delitos ambientais e Justiça considerou haver risco de repetição das condutas

Por ES Fala
· 3 min de leitura Atualizado · Sem comentários
Justiça manda prender empresário do setor imobiliário de Santa Teresa por suspeitas de crimes ambientais

A Justiça determinou nesta semana a prisão preventiva do empresário Élcio Edimar Thomazini, proprietário da Caravaggio Imóveis, de Santa Teresa, em um processo envolvendo supostos crimes ambientais praticados na zona rural do município.

A decisão foi proferida pelo juiz Carlos Ernesto Campostrini Machado após pedido apresentado pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES).

Até o fechamento desta matéria, a consulta ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicava que o mandado de prisão permanecia pendente de cumprimento.

Fiscalização aponta 1.847 metros quadrados de vegetação suprimida

Segundo a denúncia apresentada pelo MPES, uma vistoria realizada pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf-ES), em 2 de dezembro de 2025, identificou intervenções em três áreas de Mata Atlântica em estágio médio de regeneração.

As áreas estariam inseridas em Zona de Preservação Ambiental (ZPA) e em Reserva Legal do chamado Sítio Projeto Rural, na localidade de Caravaggio, em Santa Teresa.

De acordo com as informações apresentadas no processo, as intervenções atingiram áreas de 865, 279 e 703 metros quadrados, respectivamente, totalizando 1.847 metros quadrados de vegetação suprimida.

Na primeira delas, ainda conforme a acusação, teria sido construído um platô.

MPES aponta descumprimento de embargo

A fiscalização também teria constatado o descumprimento de um Termo de Embargo e Interdição, existente desde junho de 2021.

Segundo o Ministério Público, houve plantio de grama em aproximadamente 207 metros quadrados de outra área embargada, além da realização periódica de limpeza e manejo que teriam impedido a regeneração natural da vegetação.

O MPES sustenta que as condutas investigadas podem configurar infrações previstas na Lei de Crimes Ambientais, relacionadas à supressão de vegetação da Mata Atlântica e ao descumprimento de obrigação de relevante interesse ambiental.

A acusação também menciona dispositivo do Código Penal relacionado à continuidade delitiva.

Ministério Público cita outras 15 ações penais

Ao solicitar a prisão preventiva, o Ministério Público apresentou à Justiça o histórico de processos envolvendo o empresário.

De acordo com o órgão, Élcio Thomazini figura como réu em outras 15 ações penais relacionadas a supostos delitos ambientais em diferentes áreas da zona rural de Santa Teresa.

Em uma dessas ações, conforme informado pelo MPES, houve condenação a quatro anos e sete meses de reclusão. A existência de condenação mencionada pelo Ministério Público não significa, por si só, que tenha ocorrido trânsito em julgado, condição que depende da situação processual de cada caso.

Para justificar o pedido de prisão, o MPES afirmou que os fatos atualmente investigados não seriam isolados e sustentou existir um padrão reiterado de descumprimento da legislação ambiental.

Juiz determina prisão preventiva

A defesa da prisão preventiva apresentada pelo Ministério Público levou em consideração principalmente o risco apontado de repetição das supostas práticas.

O próprio MPES chegou a indicar medidas cautelares alternativas caso a Justiça entendesse que a prisão não seria necessária. O magistrado, entretanto, acolheu o pedido de prisão preventiva.

Na decisão, o juiz ressaltou que a medida não representa uma antecipação de eventual pena.

Segundo o magistrado, elementos apresentados no processo indicariam que providências adotadas anteriormente, como fiscalização, embargo e compromisso de adequação ambiental, não teriam sido suficientes para impedir novas intervenções.

Para a Justiça, esse cenário justificaria uma medida cautelar destinada a interromper a possível continuidade das condutas investigadas.

Terrenos são anunciados a partir de R$ 750 mil

O caso ganha repercussão também pela localização dos empreendimentos.

Nas redes sociais, a Caravaggio Imóveis anuncia terrenos no chamado “Condomínio Projeto Rural”, com valores a partir de R$ 750 mil.

A área está situada no Circuito Caravaggio, uma das regiões turísticas de Santa Teresa que recebeu investimentos públicos em infraestrutura e pavimentação nos últimos anos.

Mandado constava como pendente

Até a última consulta realizada antes da publicação desta matéria, o sistema do CNJ apontava o mandado de prisão preventiva contra Élcio Edimar Thomazini como “pendente de cumprimento”.

Por se tratar de prisão preventiva, a medida possui natureza cautelar e não representa condenação definitiva no processo que deu origem ao mandado.

O ES FALA deixa espaço aberto para manifestação do empresário e de sua defesa sobre as acusações apresentadas pelo Ministério Público e sobre a decisão judicial.

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