Morte de Fabrícia encerra período de quase um ano sem crimes violentos em Itaguaçu
Município não registrava crime violento desde outubro de 2025 e estava há cerca de 1.500 dias sem feminicídio; delegado afirma que caso abalou a comunidade de Beira Rio

O feminicídio de Fabrícia Hell, de 33 anos, ocorrido nesta quarta-feira (23), interrompeu um período de quase um ano sem registro de crimes violentos em Itaguaçu. O município não registrava uma ocorrência desse tipo desde outubro de 2025, segundo a Polícia Civil.
O caso também encerrou uma sequência ainda maior sem feminicídios. Dados do Mapa da Paz – Dias sem Homicídios ou Feminicídios no Espírito Santo apontam que Itaguaçu estava há cerca de 1.500 dias sem registrar um feminicídio, desde 15 de agosto de 2022.
Fabrícia foi morta após ser atingida por um disparo. A mãe dela, Elsa Maria Hell, de 58 anos, também foi baleada e socorrida. O ex-companheiro de Fabrícia, Carlos Roberto Lickteneld, de 36 anos, foi apontado pela Polícia Civil como autor dos disparos.
O delegado Renan Alves destacou que Itaguaçu atravessava um longo período de tranquilidade em relação aos crimes violentos.
“A gente vinha em um período muito extenso sem registro de crimes violentos no município. O último foi em outubro de 2025, e a cidade vinha desfrutando de uma certa tranquilidade”, afirmou.
Casal estava separado havia pouco mais de um mês
Segundo o delegado, Fabrícia e Carlos estavam separados havia pouco mais de um mês. No dia do crime, ela e a mãe teriam ido até a propriedade onde Carlos estava para buscar a criança de 5 anos, filha do casal.
A criança estava no imóvel no momento da ocorrência, mas não ficou ferida e foi retirada do local por um familiar.
“Somos um município pequeno”, afirmou Renan Alves ao comentar a repercussão do caso. Segundo ele, além das consequências para a família, o crime provocou forte abalo na comunidade de Córrego Beira Rio.
Mensagem enviada após o crime
Após os disparos, Carlos teria enviado uma mensagem à filha mais velha comunicando o que havia acontecido com a mãe. A jovem avisou familiares, que acionaram as autoridades.
O homem também teria telefonado para um primo, informado sobre o ocorrido e dito que a criança estava na residência. O familiar foi até o imóvel e encontrou a menina sem ferimentos.
Quando os policiais chegaram, Fabrícia e a mãe estavam baleadas. Carlos também foi encontrado ferido nas proximidades. Uma arma de fogo e um canivete foram encontrados no local.
Por envolver circunstâncias relacionadas à autolesão, o ES FALA opta por não detalhar a forma como o suspeito ficou ferido, mantendo apenas as informações necessárias para a compreensão do caso.
Suspeito será levado ao sistema prisional após alta
Elsa e Carlos foram socorridos e encaminhados ao Hospital Estadual Sílvio Avidos, em Colatina.
A ocorrência foi encaminhada à Delegacia Regional de Colatina. Segundo a Polícia Civil, Carlos foi autuado em flagrante por feminicídio e tentativa de homicídio qualificado.
Ele permanece sob cuidados médicos e será encaminhado ao sistema prisional assim que receber alta.
O corpo de Fabrícia foi levado à Seção Regional de Medicina Legal (SML), em Colatina, para necropsia e posterior liberação aos familiares.




