Turistas gastam em média R$ 222 por dia no Espírito Santo e mineiros lideram visitas ao Estado
Pesquisa realizada em 17 municípios revela que famílias representam a maior parte dos visitantes, que permanecem em média nove dias no Estado. Setor turístico já se prepara para o verão de 2027.

O turismo no Espírito Santo movimenta uma cadeia de atividades que vai muito além das praias e dos hotéis. Restaurantes, quiosques, estabelecimentos comerciais e serviços de transporte estão entre os setores beneficiados pela presença dos visitantes. Um levantamento sobre o verão de 2026 mostra que cada turista gastou, em média, R$ 222,59 por dia, com permanência média de nove dias nos destinos capixabas.
Os números fazem parte da Pesquisa de Perfil do Turista, realizada pela Secretaria de Estado do Turismo (Setur-ES) e apresentada no relatório Turismo de Verão no Espírito Santo, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES, na série Radar Econômico.
O estudo ouviu 2.500 pessoas entre os dias 9 e 25 de janeiro de 2026, em 17 municípios do Espírito Santo, incluindo destinos do litoral e da região serrana. O objetivo é compreender os hábitos de consumo e as preferências dos visitantes, oferecendo informações que possam ajudar empresários e administrações municipais a se preparar para a próxima temporada.
Minas Gerais é o principal mercado turístico do Espírito Santo
A proximidade geográfica e as opções de lazer fazem de Minas Gerais o principal estado de origem dos turistas que visitam o Espírito Santo.
De acordo com a pesquisa, 37,4% dos entrevistados eram mineiros, sendo que 11,3% do total vieram de Belo Horizonte.
O levantamento também revela que 58,3% dos visitantes eram moradores de outros estados, enquanto 40,8% residiam no próprio Espírito Santo.
A maioria viajou em busca de descanso e diversão: 86,4% apontaram o lazer como principal motivo da viagem.
Os atrativos naturais, especialmente praias e paisagens, influenciaram a escolha do destino para 57,2% dos entrevistados.
Outro dado importante é que quase metade dos turistas, 49,2%, já conhecia o local visitado, demonstrando a importância de manter os destinos atrativos para quem deseja retornar.
Famílias movimentam hotéis, restaurantes e comércio
O perfil identificado pela pesquisa mostra a importância do turismo familiar para a economia capixaba.
Entre os entrevistados, 65,7% viajavam acompanhados da família, e 45,8% das viagens incluíam crianças.
A faixa etária mais representativa foi a de 41 a 50 anos, correspondente a 29,2% dos participantes. Além disso, 61,3% declararam ser casados.
Em relação à renda, 33,6% informaram receber entre dois e cinco salários mínimos, enquanto 25,8% estavam na faixa de cinco a dez salários mínimos.
O consumo de alimentos e bebidas aparece como uma das atividades mais presentes durante as viagens. Segundo o estudo, 88,3% dos turistas frequentaram bares, restaurantes ou quiosques.
Considerando o gasto diário individual de R$ 222,59 e a permanência média de nove dias, a despesa estimada chega a aproximadamente R$ 2 mil por visitante durante uma estadia com essas características. Esse cálculo é apenas uma referência baseada nas médias da pesquisa, não um valor efetivamente gasto por todos os turistas.
Verão de 2027 gera expectativa no setor
Com a aproximação da temporada 2026/2027, empresários do setor de hospedagem demonstram otimismo em relação à procura pelos destinos capixabas.
Em Guarapari, um dos principais polos turísticos do Estado, a demanda por hospedagem para o Réveillon já apresenta sinais de aquecimento.
O secretário municipal de Turismo de Guarapari e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Espírito Santo (ABIH-ES), Fernando Otávio Campos Silva, relatou que 75% das vagas de sua pousada para o período de Ano-Novo já estavam reservadas.
A procura pelo Carnaval também é considerada elevada, apesar dos custos de transporte e das dificuldades relacionadas às passagens aéreas.
A expectativa é de que a movimentação beneficie não apenas os municípios litorâneos, mas também destinos de montanha e cidades que investem em roteiros culturais, históricos e gastronômicos.
Turismo ganha importância com a Reforma Tributária
Além de gerar empregos e renda, a atividade turística deverá ganhar relevância nas estratégias econômicas das administrações municipais com as mudanças previstas na Reforma Tributária.
O novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) terá sua arrecadação vinculada ao destino do consumo, o que amplia a importância das atividades econômicas realizadas dentro de cada município.
Nesse cenário, atrair visitantes e estimular gastos em hospedagem, alimentação, comércio e serviços pode contribuir para fortalecer a economia local e sua base de arrecadação.
Em Vila Velha, a administração municipal trabalha na promoção de roteiros que conectam praias, patrimônio histórico, gastronomia e turismo religioso e rural.
Na região serrana, Domingos Martins desenvolve ações para organizar mais de 20 rotas turísticas, criar um catálogo de atrações e implantar um passaporte turístico. Também há articulações para a retomada do Trem das Montanhas.
Já em Vitória, uma das iniciativas é o programa Vitória de Frente para o Mar, voltado à requalificação das orlas e à valorização do potencial turístico da capital.
Pesquisa mostra oportunidades para os municípios capixabas
Os resultados também apontam a importância da divulgação dos destinos. A indicação de amigos e familiares foi mencionada por 31,4% dos entrevistados como fonte de informação sobre os locais visitados, enquanto as redes sociais representaram 12,8%.
Os dados indicam que a experiência oferecida ao visitante pode influenciar diretamente a escolha de futuras viagens.
Para municípios do Norte e Noroeste do Espírito Santo, o levantamento também oferece referências para o planejamento turístico. Embora a pesquisa não apresente, no material divulgado, resultados específicos para cada cidade dessas regiões, o perfil geral dos visitantes pode ajudar a orientar iniciativas de valorização de atrativos naturais, gastronomia, cultura e hospedagem.
Com o verão de 2027 se aproximando, o desafio do setor será transformar o interesse pelos destinos capixabas em maior movimentação econômica, estimulando a permanência dos visitantes e o consumo nos estabelecimentos locais.




