Comércio aquecido e imóveis em alta: indenizações da Samarco impactam economia em Baixo Guandu

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m plena pandemia da COVID-19, Baixo Guandu vive uma situação inusitada em sua economia, com um aquecimento nas atividades incomum para este período de crise sanitária.

Este período de bonança tem nome: desde setembro de 2020, através da Fundação Renova, foram pagos R$ 340 milhões em indenizações a aproximadamente 3.750 moradores do município, decorrentes da tragédia ambiental da Samarco, ocorrida em 2015, com o despejo de milhões de toneladas de lama tóxica no rio Doce.

Os R$ 340 milhões em indenizações (valor que o município arrecada somente em 3 anos e quatro meses) resultam de uma sentença da Justiça Federal, de julho de 2020, que garantiu reparo a milhares de pessoas que, de alguma forma, foram impactadas pela tragédia ambiental – caso de pescadores, lavadeiras, artesãos, carroceiros, areeiros, comerciantes e agricultores, entre outros.

Mudança
A primeira indenização foi paga em setembro de 2020 e, nestes 10 meses de vigência, a sentença da Justiça Federal já chegou, além de Baixo Guandu, a mais 24 localidades ao longo da bacia do rio Doce – onde os recursos das indenizações também impactam a economia local.

Baixo Guandu foi a primeira cidade a ser beneficiada pela sentença da Justiça Federal, junto com Naque (MG), graças a atuação de uma Comissão dos Atingidos local, que desde 2015 vinha lutando por Justiça aos atingidos.

“Estes milhares de atingidos que agora estão sendo indenizados eram invisíveis e estavam esquecidos, sofrendo as consequências do dano ambiental”, afirma a advogada Richardeny Lemke Ott, a responsável pela petição pioneira que resultou na sentença inédita da 12 Vara Federal de Belo Horizonte.

Em Baixo Guandu os reflexos dos R$ 340 milhões pagos em 10 meses a quase 4 mil pessoas são contundentes: o comércio, por exemplo, está vivendo um bom momento, conforme admite a própria CDL, através do seu presidente Uberaldo Dittbener, que prefere não falar em porcentual de aumento nas vendas, mas reconhece o aquecimento nas atividades.

Uberaldo lembrou que a pandemia que vivemos desde março de 2020 prejudicou de forma muito acentuada o comércio de Baixo Guandu, com o “abre e fecha” atendendo à determinação das autoridades de Saúde. “Não resta dúvida que as indenizações da Samarco impactaram de forma positiva o comércio desde os primeiros pagamentos”, atesta o presidente da CDL Uberaldo, que credita a este fato o afastamento de uma crise que poderia estar muito grave.

“O comerciante foi duramente prejudicado pela pandemia, não só em Baixo Guandu como no Brasil e no mundo. Teremos ainda um longo período de recuperação pela frente”, falou o presidente da CDL Uberaldo Dittbener.

Mas o fato é que o comércio na cidade vive excelente período. Basta andar no centro para ver o movimento nas lojas: afinal são R$ 340 milhões injetados na cidade em apenas 10 meses, nas mãos de quase 4 mil famílias.

As lojas de material de construção, por exemplo, tem que se virar para atender os pedidos, muitos deles impossíveis de entrega imediata. A venda de eletrodomésticos disparou nas lojas, bem como a venda de carros e motos, o consumo de telefones celulares cresceu de forma extraordinária e os supermercados vivem lotados – só para citar alguns exemplos.

No setor de serviços também as mudanças são visíveis: achar um pedreiro disponível na cidade é tarefa quase impossível, o mesmo ocorrendo com outros profissionais da área de construção civil.

Com mais dinheiro circulando na praça, outro reflexo na cidade foi a valorização de imóveis (casas, apartamentos, lotes) especialmente no perímetro urbano. A procura aumentou muito e em determinadas regiões a valorização nos últimos meses chega a 100%.

ESFALA/Informação Folha1 Baixo Guandu.

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