Com o início oficial da campanha eleitoral na última sexta-feira (16), Colatina se destaca pela representatividade LGBTQIA+ no cenário político. O mapeamento realizado pelo site Vote LGBT, que tem como objetivo aumentar a presença dessa comunidade nos espaços de poder, revela que há uma candidata abertamente LGBTQIA+ na cidade: Adriana Gonçalves, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Em todo o estado do Espírito Santo, 11 candidatos LGBTQIA+ foram mapeados até o momento, uma cifra que pode aumentar à medida que o mapeamento prossegue.
O número reduzido de candidaturas públicas, tanto em Colatina quanto em todo o estado, reflete o desafio contínuo de se assumir publicamente. O site Vote LGBT, em parceria com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), tem se empenhado na campanha “Cidades+LGBT”, que busca não só mapear, mas também divulgar essas candidaturas e sensibilizar a população para a importância da participação política dessa comunidade.
No cenário nacional, o movimento ganha força. Em 2022, a mobilização resultou na eleição de 18 pessoas LGBTQIA+ para a Câmara Federal e assembleias legislativas, sendo a maioria mulheres. Embora representem apenas 1% das candidaturas nas eleições passadas, esses candidatos receberam mais de 5% dos votos nos estados em que concorreram, evidenciando a relevância e a força crescente da comunidade LGBTQIA+ nas urnas.
Deborah Sabará, coordenadora de projetos do Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold), ressalta que a representatividade vai além de se assumir LGBTQIA+. Ela alerta para a necessidade de um compromisso real com as pautas da comunidade, lembrando que algumas pessoas se aproveitam da bandeira LGBTQIA+ para se eleger, sem, no entanto, defender verdadeiramente as causas. Segundo Deborah, é fundamental apoiar candidatos que já tenham um histórico de luta e atuação nos movimentos sociais, garantindo assim que a comunidade seja realmente representada.
Por fim, Deborah sublinha a importância de valorizar também aqueles que, mesmo não pertencendo à comunidade LGBTQIA+, demonstraram compromisso em seus mandatos com as pautas de diversidade e inclusão. A resistência de alguns candidatos em se assumir publicamente como LGBTQIA+ é vista como um obstáculo, uma vez que o compromisso com a comunidade deve ser claro e inquestionável.
O mapeamento do Vote LGBT segue em andamento, e a expectativa é de que mais candidaturas se juntem ao movimento, fortalecendo a representatividade e garantindo que as vozes LGBTQIA+ sejam ouvidas nos espaços de poder em Colatina e em todo o Brasil.













