Julgamento do Caso Mariana: escritório Pogust Goodhead revela detalhes do primeiro dia de audiência em Londres

O julgamento do Caso Mariana, envolvendo o rompimento da barragem de Fundão em 2015, teve início nesta segunda-feira (21), em Londres, no Tribunal Superior. A mineradora BHP está sendo processada por vítimas do desastre ambiental que atingiu o Rio Doce, afetou comunidades e causou a morte de 19 pessoas. O escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa cerca de 620 mil reclamantes, estima que as indenizações possam atingir £36 bilhões.

Publicidade

No primeiro dia de julgamento, segundo o escritório Pogust Goodhead, foi revelado que a BHP teria permitido que dez vezes mais rejeitos fossem despejados na barragem do que o acordado nos anos anteriores ao colapso. A juíza O’Farrell ouviu que a barragem, de propriedade da Samarco – uma joint venture entre a BHP e a Vale –, era gerida por um conselho composto por representantes das duas empresas, sem membros independentes.

O advogado Alain Choo Choy, que representa as vítimas, destacou o envolvimento direto da BHP na gestão da Samarco, afirmando que decisões cruciais eram tomadas com a aprovação conjunta de ambas as acionistas. Ele também mencionou que a BHP tinha conhecimento de que a Vale despejava volumes de rejeitos muito superiores aos permitidos. De acordo com o depoimento, a empresa decidiu não interferir, dada a “alta dependência” em relação ao acordo com a Vale, apesar dos riscos à segurança.

Publicidade

Choo Choy argumentou que a BHP aprovou a continuidade do despejo e até a elevação da barragem, mesmo sabendo que a estrutura estava em estado fragilizado. A elevação contínua, segundo o advogado, foi uma das razões que levaram ao colapso da barragem, já que a drenagem não era suficiente para comportar o volume de rejeitos.

A BHP, por sua vez, nega responsabilidade, alegando que a Samarco era a única responsável pelo desastre, conforme seus documentos judiciais.

Publicidade

O julgamento, que deve durar 12 semanas, continuará com a apresentação das alegações das vítimas. A partir de quarta-feira (23), será a vez da BHP expor sua defesa.

Julgamento do Caso Mariana – Resumo do Primeiro Dia segundo o escritório Pogust Goodhead.

  1. Início do Julgamento
    O julgamento do Caso Mariana começou nesta segunda-feira (21), no Tribunal Superior de Londres, Inglaterra. A mineradora BHP está sendo processada pelas vítimas do rompimento da barragem em Mariana, ocorrido em 5 de novembro de 2015.
  2. Depoimento Revelador
    O escritório de advocacia Pogust Goodhead revelou que a BHP permitiu o despejo de até dez vezes mais lama tóxica atrás da Barragem de Mariana do que o acordado nos anos anteriores ao colapso, conforme foi apresentado em tribunal.
  3. Consequências do Desastre
    O rompimento da barragem liberou 40 milhões de metros cúbicos de resíduos tóxicos no Rio Doce, causando a morte de 19 pessoas, incluindo o feto de uma sobrevivente. As comunidades e empresas locais também sofreram efeitos catastróficos e duradouros.
  4. Indenização
    O escritório Pogust Goodhead, representando cerca de 620 mil reclamantes, estima que a indenização para as vítimas pode chegar a £36 bilhões, caso o processo seja bem-sucedido.
  5. Propriedade e Gestão da Barragem
    No tribunal, foi informado que a Barragem de Mariana era de propriedade da Samarco, uma joint venture entre a BHP e a Vale. O conselho de administração da Samarco era composto por representantes da BHP e da Vale, sem membros independentes.
  6. Controle da Samarco
    Representando os reclamantes, Alain Choo Choy KC argumentou que as decisões na Samarco só podiam ser tomadas com o acordo dos representantes da BHP e da Vale. Ele também destacou a participação direta da BHP em influenciar as operações da Samarco.
  7. Conhecimento Prévio da BHP
    O tribunal ouviu que a BHP sabia, ao menos três anos antes do colapso, que a Vale despejava 1,3 milhão de toneladas de rejeitos anualmente na barragem desde 2009, embora o contrato estipulasse o limite de 109.324 toneladas por ano.
  8. Reunião sobre Despejos
    Em uma reunião da BHP realizada em abril de 2012, foram discutidos os níveis elevados de despejo de rejeitos pela Vale. A BHP orientou seus representantes a não “forçar” a suspensão do contrato devido à dependência da Samarco no acordo.
  9. Aumento da Altura da Barragem
    A BHP teria aprovado planos para aumentar a altura da barragem para 940 metros, de modo a acomodar o crescente volume de rejeitos.
  10. Estado Fragilizado da Barragem
    Em agosto de 2014, já estava evidente que a barragem se encontrava em estado frágil, com sinais de estresse severo. Mesmo assim, as operações de elevação da barragem continuaram.
  11. Níveis Críticos e Falta de Drenagem
    O tribunal foi informado de que os níveis na barragem continuaram a aumentar devido à falta de drenagem adequada, o que eventualmente resultou no colapso.
  12. Responsabilidade da BHP
    A BHP nega responsabilidade pelo colapso, alegando que a Samarco é a única responsável, conforme os documentos apresentados ao tribunal.
  13. Continuação do Julgamento
    O julgamento, que tem previsão de duração de 12 semanas, prossegue com a apresentação das alegações das vítimas. A partir de quarta-feira (23), a BHP iniciará sua defesa.

Notou alguma informação incorreta nesta matéria? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão abaixo e envie sua mensagem.

Notificar informação incorreta

Notou alguma informação incorreta nesta matéria? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Envie sua mensagem usando o formulário abaixo.