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BHP nega responsabilidade por desastre de Mariana em terceiro dia de julgamento em Londres

Nesta quarta-feira (23), durante o terceiro dia de julgamento na Corte Inglesa, em Londres, a mineradora BHP negou responsabilidade pelo colapso da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, que ocorreu em novembro de 2015. A empresa alega que não esteve envolvida diretamente nas operações no Brasil. A ação, que busca reparações de 36 bilhões […]

Por ES Fala
· 2 min de leitura Atualizado · 2 comentários
BHP nega responsabilidade por desastre de Mariana em terceiro dia de julgamento em Londres

Nesta quarta-feira (23), durante o terceiro dia de julgamento na Corte Inglesa, em Londres, a mineradora BHP negou responsabilidade pelo colapso da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, que ocorreu em novembro de 2015. A empresa alega que não esteve envolvida diretamente nas operações no Brasil. A ação, que busca reparações de 36 bilhões de libras, tem como pano de fundo as negociações entre a mineradora e o governo federal brasileiro para um acordo sobre os danos causados pelo desastre.

Apesar de negar envolvimento direto no desastre, a BHP admitiu ter obtido lucros substanciais com suas operações no Brasil. Entre 2012 e 2015, a Samarco, responsável pela barragem, distribuiu dividendos significativos aos acionistas, incluindo à BHP Brasil. Além disso, a mineradora anglo-australiana reconheceu que parte dos lucros disponíveis para seus acionistas na Austrália advinham dos investimentos na Samarco.

Segundo o escritório Pogust Goodhead, após o rompimento da barragem, que causou um dos maiores desastres ambientais do Brasil, o então CEO da BHP, Andrew Mackenzie, havia declarado que a empresa estava comprometida em apoiar a reconstrução das comunidades atingidas e a restauração do meio ambiente. No entanto, quase nove anos após o desastre, os autores da ação alegam que as medidas de reparação no Brasil são insuficientes e que a BHP tem falhado em assumir sua responsabilidade.

Mais de 620 mil pessoas entraram com a ação na justiça britânica, argumentando que existe um “abismo” entre as compensações oferecidas pela BHP no Brasil e as reais necessidades das vítimas. Segundo os reclamantes, o tribunal de apelação do Reino Unido já havia reconhecido, em 2022, que o processo de reparação no Brasil apresentava deficiências e que as demandas poderiam ser julgadas na Inglaterra. As negociações entre a BHP e o governo brasileiro, conhecidas como “Processo de Repactuação”, ainda não chegaram a uma conclusão definitiva.

Críticas à postura da BHP

Tom Goodhead, advogado que representa os autores da ação e CEO do escritório Pogust Goodhead, criticou as declarações da BHP à Corte Inglesa. Para ele, há uma contradição entre o que a mineradora diz no Reino Unido e suas ações no Brasil. “A BHP afirma no tribunal de Londres que não é responsável pelo colapso da barragem, mas está oferecendo quantias significativas para resolver as reivindicações no Brasil. Isso é hipocrisia”, afirmou Goodhead.

O julgamento, que começou na segunda-feira (21), está previsto para durar até março de 2025. A decisão final sobre a responsabilidade da BHP pelo colapso da barragem deve ser anunciada até meados do próximo ano.

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2 comentários

  1. Mauricio Tercio

    BHP também sabia dos riscos operacionais que envolviam o excesso de despejo de resíduos na barragem de Mariana e mesmo assim permitiu que isso continuasse sendo feito.Agora não tem culpa?

  2. Maria

    Em tragédia dá mineração os peixes morreram todos não consegue pegar um se quer porque as lamas estão nó Rio é só chover que às lamas se mistura com as águas

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