No Espírito Santo, uma figura histórica de resistência e luta pela liberdade merece destaque, embora pouco mencionada nos livros e na cultura popular: Zacimba Gaba. Conhecida como a princesa guerreira, ela deixou um legado de coragem ao liderar revoltas de escravizados, fundar um quilombo e dedicar sua vida à libertação de negros escravizados.
Zacimba Gaba foi trazida ao Brasil por volta de 1692, vinda de Cabinda, na atual Angola. Escravizada na fazenda do senhor de engenho José Trancoso, no Norte do Espírito Santo, ela não perdeu seu posto de princesa. Sua origem real foi reconhecida pelos demais escravizados, que a respeitavam profundamente. Esse comportamento, no entanto, chamou a atenção do senhor de engenho, que, ao descobrir sua liderança, manteve-a na casa-grande para isolar sua influência.
Na casa-grande, Zacimba foi vítima de violências e ameaças, mas encontrou uma forma de resistir. Com astúcia, ela utilizou o veneno extraído da jararaca-preguiçosa, conhecido como “pó de amassar sinhô”, para envenenar José Trancoso. Sabendo que os senhores de engenho forçavam os escravizados a provar a comida em caso de suspeita, Zacimba levou meses ou até anos para eliminar seu algoz sem ser descoberta.
A morte de José Trancoso desencadeou uma revolta entre os escravizados da fazenda, que também exterminaram capatazes e torturadores. Sob a liderança de Zacimba, o grupo fundou um quilombo na região que hoje é Itaúnas, no Norte do Espírito Santo.
Além de fundar o quilombo, Zacimba e seus companheiros passaram a invadir navios negreiros, libertando negros que chegavam ao Brasil para serem escravizados. Durante cerca de uma década, suas ações foram tão impactantes que rotas de navios foram alteradas para evitar suas investidas.
O fim da vida de Zacimba Gaba permanece envolto em mistério. Algumas versões sugerem que ela foi morta em uma emboscada organizada por traficantes, enquanto outras afirmam que ela retornou a Cabinda ou viveu seus últimos anos em anonimato. O que é incontestável, no entanto, é seu papel fundamental na luta pela liberdade.
Neste Dia da Consciência Negra, a história de Zacimba Gaba é símbolo de resistência e inspiração, lembrando a todos sobre a importância de honrar as raízes afro-brasileiras e a luta por igualdade e justiça social.














