Alfredo Chaves lidera casos de Febre do Oropouche no Espírito Santo

Localizado a cerca de 81 km de Vitória, capital do Espírito Santo, o município de Alfredo Chaves é o líder no Estado em casos registrados de Febre do Oropouche. De acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (19) pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-ES), o município aparece no topo da lista, seguido por Iconha, com 450 casos, e Laranja da Terra, com 339 casos. Ao todo, o Espírito Santo registra 3.823 casos acumulados entre as semanas epidemiológicas 1 (31/12/2023) e 50 (14/12/2024).

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Vitória contabilizou, até o último dia 14, 58 casos da doença. No mesmo período, uma morte foi confirmada no município de Fundão e outra está sob investigação. A Febre do Oropouche é uma arbovirose transmitida pelo mosquito maruim, conhecido popularmente como mosquito-pólvora.

Para entender as causas do alto número de casos em Alfredo Chaves, a reportagem conversou com o bólogo Daniel Gosser Motta, mestre pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ele explica que há uma correlação entre o ambiente e a proliferação do maruim, especialmente em locais com alta concentração de matéria orgânica.

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Alfredo Chaves é destaque no cultivo de banana no Estado, liderando a produção com 44.800 toneladas em 2022, conforme dados da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Pesca (Seag). Daniel Gosser Motta aponta que a matéria orgânica gerada pela agricultura, como cascas de banana em decomposição, cria um ambiente ideal para a reprodução do mosquito.

“A combinação de umidade, sombra e matéria orgânica, como folhas em decomposição, torna o local propício para o desenvolvimento das larvas do maruim, que posteriormente se tornam mosquitos adultos”, explicou o bólogo. Ele também destacou que, para a transmissão da febre, o mosquito precisa estar infectado com o vírus.

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Durante um evento nacional realizado no Espírito Santo para discutir a emergência dos casos de Oropouche, a Secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, reforçou a importância de ações preventivas. Profissionais de saúde e pesquisadores de vários estados participaram do encontro.

A Sesa recomenda que a população evite áreas com alta concentração do mosquito, utilize repelentes e roupas que protejam a pele. Daniel Motta também chamou a atenção para a caracterização da picada do maruim, que forma um pequeno ponto vermelho na pele.

Características do mosquito-pólvora

O maruim, que mede entre 1,5 mm e 3 mm, é mais ativo no início da manhã e ao final da tarde. Sua picada, além de dolorosa, pode causar grande incômodo devido à persistência em se alimentar.

A referência técnica em Zoonoses e Doenças Vetoriais da Sesa, Karina Bertazo, destacou que a presença do mosquito está associada não apenas ao aumento de casos de Febre do Oropouche, mas também ao impacto no bem-estar da população local.

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