A Polícia Civil de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, investiga a morte do bebê Heitor Rossi de França, ocorrida cerca de uma hora após o nascimento, no Hospital São Camilo, no dia 28 de dezembro de 2024. Os pais da criança, Isabelly Rossi Nascimento, de 18 anos, e Israel de França de Jesus, de 21, registraram um boletim de ocorrência acusando a equipe médica de negligência.
Segundo os pais, a equipe médica insistiu em realizar o parto normal, mesmo após alertas prévios do médico responsável pelo pré-natal sobre possíveis limitações anatômicas da gestante para esse tipo de parto. Durante o procedimento, foi utilizado um fórceps obstétrico, que, segundo os pais, teria causado ferimentos na mãe e no bebê.
A certidão de óbito, emitida pelo Instituto Médico Legal (IML) de Vitória, apontou como causas da morte hemorragia intracerebral e traumatismo craniano.
O pai da criança, Israel de França de Jesus, descreveu o processo como angustiante. Ele contou que a gestante deu entrada no hospital por volta das 21h40 do dia 27 de dezembro, mas foi liberada para voltar para casa. Após piora no quadro, o casal retornou ao hospital, onde Isabelly aguardou mais de duas horas para ser atendida, pois outra gestante estava em trabalho de parto.
“A médica insistia no parto normal, mesmo com minha esposa implorando por uma cesariana. Ela dizia: ‘Não, mãe, você vai conseguir’, mas os médicos do pré-natal já haviam alertado que ela não tinha passagem”, relatou Israel.
Ainda segundo ele, a equipe médica administrou ocitocina, usada para aumentar as contrações, e utilizou um aparelho de sucção a vácuo durante o procedimento, o que teria agravado a situação. “A médica garantiu que o aparelho não prejudicaria o bebê, mas ele sofreu ferimentos. Não havia passagem suficiente para ele nascer de parto normal”, explicou.
Após várias tentativas frustradas, Isabelly foi levada para a sala de cesariana. O bebê nasceu, chorou e abriu os olhos, mas, momentos depois, começou a apresentar complicações. “A médica pediu ajuda de outros profissionais, e fui retirado da sala. Pouco tempo depois, meu filho faleceu”, lamentou o pai.
Israel afirmou que todos os exames realizados durante a gestação indicavam que mãe e filho estavam saudáveis. “Não houve qualquer problema diagnosticado durante o pré-natal. Queremos justiça pelo meu filho. Ele morreu por algo que poderia ter sido evitado”, declarou emocionado.















