Entre os 88 brasileiros deportados pelos Estados Unidos neste sábado (25), estavam capixabas que chegaram ao Brasil em um voo da Força Aérea Brasileira (FAB). O grupo foi transportado de Manaus, no Amazonas, para Belo Horizonte, Minas Gerais, após um incidente no voo fretado pelo governo americano, que trazia os imigrantes de Alexandria, no estado da Louisiana (EUA).
O avião americano pousou em Manaus na sexta-feira (24), por volta das 18h, para reabastecimento, mas um problema técnico, somado à quebra do ar-condicionado, gerou desentendimentos entre os passageiros e a tripulação. Segundo a Polícia Federal (PF), os brasileiros estavam algemados nas mãos e com correntes nos pés, procedimento padrão da imigração americana em voos de deportação.
A situação se agravou quando os agentes americanos sugeriram que o grupo completasse a viagem até Belo Horizonte ainda algemado, o que levou o governo brasileiro a intervir. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o transporte dos deportados fosse feito de forma digna e segura.
Enquanto aguardavam o voo da FAB, os brasileiros ficaram em uma área restrita do aeroporto de Manaus, onde receberam alimentação e colchões enviados pela Prefeitura de Manaus e pelo governo do Amazonas. A Polícia Federal determinou a remoção das algemas assim que os passageiros desembarcaram, já que estavam em solo brasileiro e não apresentavam risco.
Por volta das 17h20 de sábado (25), o avião da FAB decolou de Manaus com 84 brasileiros, sem algemas, em direção ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, onde o pouso estava previsto para ocorrer entre 21h e 21h30. Quatro passageiros permaneceram em Manaus, pois seriam encaminhados para Rondônia e Roraima.
Histórico e acordo bilateral
Os voos de deportação fazem parte de um acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos, firmado em 2018, que permanece em vigor. Em 2024, mais de 1.600 imigrantes ilegais brasileiros foram deportados em 16 voos. O caso deste sábado marca o segundo voo de deportação de 2025, sendo o primeiro sob o novo governo de Donald Trump.















