Agricultor deportado dos EUA retorna a Colatina e relata jornada migratória

O agricultor Nicolas Campana, de 30 anos, retornou ao Brasil após ser deportado dos Estados Unidos. Ele chegou à casa da irmã, em Colatina, na tarde deste domingo (9). Nicolas estava em um avião fretado pelo governo americano que pousou em Fortaleza na sexta-feira (7) e, posteriormente, seguiu em uma aeronave da Força Aérea Brasileira para Belo Horizonte, onde desembarcou com outras 95 pessoas. Outras 15 ficaram no Ceará.

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Nicolas partiu do Brasil em 25 de outubro do último ano em busca do sonho de trabalhar nos Estados Unidos e proporcionar uma vida melhor para sua família. “Cheguei aos Estados Unidos no dia 7 de novembro e me entreguei para a patrulha da fronteira para iniciar o processo migratório, evitando entrar ilegalmente. Desde então, fiquei na prisão”, relatou.

O agricultor economizou U$ 5 mil ao longo de cinco anos para realizar a travessia por conta própria. Ele atravessou a Guatemala de ônibus, contratou um coiote para levá-lo ao México e, na capital mexicana, comprou uma bicicleta para seguir viagem. Posteriormente, utilizou transporte rodoviário até chegar à fronteira dos Estados Unidos.

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Durante a jornada, manteve contato constante com a família e compartilhava sua localização. No entanto, ao ser preso, teve todos os seus pertences confiscados, sendo devolvidos apenas ao chegar ao Brasil. “Pude fazer uma ligação de três minutos para avisar que seria deportado. Não estou triste nem decepcionado por voltar, sinto que não era o momento preparado por Deus. Fiz boas amizades na prisão, com pessoas trabalhadoras em busca do mesmo sonho que eu. Sei que, enquanto eles não estiverem em suas casas e em seus países, eu não estarei completamente no meu também”, desabafou.

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Nicolas Campana conta fala sobre a sua deportação dos Estados Unidos.

Desde sua rendição às autoridades, Nicolas passou por duas prisões nos Estados Unidos. Ele descreveu as condições como precárias: “O tratamento era o mínimo previsto pelos direitos humanos. A comida era ruim, a cama era dura e fria, e muitas pessoas dormiam no chão”. Além disso, relatou que deixou a prisão algemado e permaneceu assim durante todo o voo fretado pelo governo americano até Fortaleza.

Apesar dos desafios enfrentados, Nicolas não desistiu do sonho de voltar aos Estados Unidos. “O motivo de ir era simples: busca por uma melhora financeira e tentar encontrar, nos dólares, uma esperança de ter e dar uma vida confortável para a família. O sonho continua, mas no governo do Trump não adianta nem tentar. O brasileiro não desiste fácil, mas não aconselho ninguém a atravessar a fronteira pelo México. A gente escuta muitas histórias tristes”, afirmou.

ES FALA: informações A Gazeta.

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