Caso Samarco: OAB-ES suspende advogado investigado por suposta captação irregular de clientes no caso Mariana

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES) encaminhou ofício ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) ontem, sexta-feira (14), informando a suspensão cautelar do advogado José Marques Pereira pelo período de um ano. A medida, que entrou em vigor na última quinta-feira (13), foi tomada no âmbito de um procedimento administrativo disciplinar, onde ele é investigado por suposta prática antiética e irregularidades na captação de clientes.

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Até os primeiros meses deste ano, José Marques se apresentava como colaborador do escritório britânico Pogust Goodhead, que representa milhares de vítimas da tragédia de Mariana (MG) nos tribunais ingleses. O desastre, ocorrido em 2015, despejou toneladas de rejeitos de minério na bacia do Rio Doce, afetando municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Segundo uma reportagem do jornal O Globo, publicada em dezembro de 2024, José Marques teria compartilhado vídeos com supostas desinformações, buscando convencer a população afetada a não assinar o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024.

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Em um dos vídeos, o advogado teria afirmado que as indenizações previstas no acordo seriam pagas em 10 anos. No entanto, o STF esclareceu que para agricultores e pescadores o pagamento ocorrerá em 4 anos, sendo um salário mínimo e meio por mês nos primeiros três anos e um salário mínimo no último ano. Para os demais moradores afetados, os valores devem ser pagos em dez dias após a homologação do acordo com cada indivíduo.

Em nota, a OAB-ES afirmou que tem atuado rigidamente na apuração de irregularidades envolvendo a repactuação da Samarco e no combate a abusos cometidos por advogados na captação de clientes. A seccional destacou que diversos processos disciplinares estão em andamento no Tribunal de Ética, inclusive com pedidos de suspensão preventiva. O procedimento corre em sigilo.

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Ao consultar o Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) nesta sexta-feira (14), já era possível confirmar a suspensão do registro de José Marques.

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Posicionamento do advogado

Ao ser informado sobre a suspensão de seu registro, José Marques Pereira defendeu que os vídeos publicados por ele tinham “caráter informativo” e alegou não ter tido acesso ao processo disciplinar que resultou na medida cautelar.

Sobre sua colaboração com o Pogust Goodhead, ele alegou que seu contrato de confidencialidade o impede de fornecer detalhes sobre a parceria de seu escritório, localizado em Vila Velha, com o escritório britânico.

Agora, o advogado poderá recorrer da decisão dentro dos prazos legais, enquanto o caso segue em investigação pelo Tribunal de Ética da OAB-ES.

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