A manhã deste domingo (6) foi marcada por uma grande onda de solidariedade e empatia na Praia de Camburi, em Vitória. Entre 5 mil e 6 mil pessoas participaram da tradicional caminhada de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovida anualmente pela Associação de Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes).
Com concentração em frente ao Píer de Iemanjá, o evento tingiu o calçadão de azul — cor símbolo da causa — com faixas, cartazes, camisetas e um clima de união e acolhimento. Famílias e apoiadores vieram de diversos municípios do Espírito Santo, como São Mateus, Aracruz, Jerônimo Monteiro, Irupi, Guaçuí, Domingos Martins, Viana e Cariacica. A caminhada também contou com a presença de participantes vindos de outros estados, como Pará e Rio Grande do Sul, segundo a Amaes.
Durante o percurso, a animação ficou por conta da banda da Guarda Municipal de Vitória, que, sobre o trio elétrico, deu o ritmo da caminhada com música e alto astral. No ponto de chegada, em frente ao antigo Hotel Aruan, crianças e famílias foram recepcionadas com uma programação especial de recreação, que incluiu brincadeiras, pipoca, algodão doce, picolés e atividades lúdicas.
“Somos o motor dessa transformação”, diz presidente da Amaes
A presidente da Amaes, Pollyana Paraguassú, agradeceu a presença das famílias e reforçou a importância do evento como ferramenta de mobilização social. Em seu discurso, ela destacou a força das famílias atípicas, o apoio de parceiros e patrocinadores, e a relevância da Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) — que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
“Minha gratidão às mães, às famílias. São elas que fazem tudo isso acontecer. Nós, famílias, somos o motor dessa transformação. Que possamos caminhar juntos por mais um ano, fortalecendo a luta por políticas públicas que tornem nossos filhos cada vez mais visíveis, tirando-os da invisibilidade. Que hoje seja um marco dessa afirmação — não apenas como pais, mães e familiares, mas como seres humanos”, declarou.
EM COLATINA MINISTÉRIO PÚBLICA FAZ AUDIÊNCIA PÚBLICA
A possível decisão da Prefeitura de Colatina de retirar estagiários que auxiliam professores no atendimento a alunos com deficiência na rede municipal de ensino tem gerado intensa mobilização entre pais, educadores e membros da comunidade escolar. A preocupação central é que a ausência desses profissionais possa comprometer a qualidade da educação inclusiva oferecida aos estudantes com necessidades especiais.
Atualmente, a rede municipal atende 1.218 alunos com laudos e diagnósticos que os classificam como público-alvo da Educação Especial, sendo 774 com deficiência, 404 com transtornos globais do desenvolvimento e 40 com altas habilidades ou superdotação.
Em resposta às manifestações dos pais, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) promoveu uma audiência pública na última quarta-feira (2) para discutir a questão. O evento contou com a participação de representantes da Secretaria Municipal de Educação, pais de alunos com deficiência, educadores e membros da sociedade civil. Durante a audiência, foram apresentados argumentos sobre a importância dos estagiários no suporte diário aos alunos com necessidades especiais e os possíveis impactos negativos de sua retirada.
Pais e educadores destacam que os estagiários desempenham um papel importantíssimo no processo de inclusão, oferecendo suporte individualizado e auxiliando na adaptação das atividades pedagógicas às necessidades específicas de cada aluno. A retirada desses profissionais, segundo eles, poderia resultar em retrocessos significativos na educação inclusiva do município.
A Secretaria Municipal de Educação, por sua vez, informou que está avaliando a situação e buscando alternativas para atender às demandas da educação inclusiva sem comprometer a qualidade do ensino. A pasta ressaltou que está aberta ao diálogo com pais e educadores para encontrar soluções que atendam aos interesses dos alunos com deficiência.
A situação permanece em aberto, e os envolvidos aguardam um posicionamento definitivo da Prefeitura de Colatina sobre a manutenção dos estagiários nas escolas municipais.















