O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, lamentou, nesta segunda-feira (21), a morte do Papa Francisco, aos 88 anos, em Roma. Em uma publicação nas redes sociais, Casagrande exaltou o legado do pontífice, destacando sua postura firme e humana ao longo do papado.
“Uma Igreja próxima dos mais vulneráveis e firmemente posicionada diante dos grandes desafios da política mundial. Gratidão eterna, Papa Francisco”, escreveu o governador, que também afirmou que o papa deixa “um legado de simplicidade, compaixão e coragem”.
No post de despedida, Casagrande compartilhou um vídeo em preto e branco que mostra o momento em que se encontrou pessoalmente com o Papa Francisco, em novembro do ano passado. O encontro aconteceu durante uma visita à Itália, no período em que o governador participou da Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP29), na Europa.
Na ocasião, Casagrande presenteou o pontífice com uma imagem de São José de Anchieta, figura de devoção muito popular entre os capixabas. O Papa também abençoou uma bandeira do Espírito Santo, que desde então passou a ficar exposta no Palácio Anchieta, sede do governo estadual. Durante a conversa, o governador ainda falou ao papa sobre a importância da Festa da Penha, tradicional celebração religiosa do estado.
O argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, morreu nesta segunda-feira (21) devido a complicações causadas por uma pneumonia bilateral, conforme confirmou o Vaticano. Ele sofria de uma doença pulmonar crônica e vinha apresentando quadro de saúde delicado nos últimos meses.
A morte ocorre um dia após o Domingo de Páscoa, quando o papa fez uma breve aparição na janela da Praça de São Pedro, onde abençoou a multidão que o aguardava com aplausos e emoção. Apesar de sua presença simbólica, ele não celebrou a tradicional missa de Páscoa, delegando a tarefa ao cardeal Angelo Comastri, arcipreste aposentado da Basílica de São Pedro.
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Praia de Copacabana RJ/Redes sociais
VISITA AO BRASIL
O Papa Francisco protagonizou uma das visitas papais mais emblemáticas da história do Brasil em julho de 2013, quando participou da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Rio de Janeiro. Em sua primeira viagem internacional como pontífice, Francisco encantou o país com carisma, firmeza em temas sociais e uma mensagem vibrante voltada à juventude e à justiça social.
A semana foi marcada por eventos intensos e de grande significado simbólico. O momento mais impactante da visita foi a missa celebrada na Praia de Copacabana, que reuniu mais de 3,5 milhões de pessoas — número que, segundo o Ministério do Turismo, representa a maior concentração oficial de visitantes em uma única cidade do Brasil até hoje.
Antes de chegar à capital fluminense, Francisco passou rapidamente pela Basílica de Aparecida, no interior de São Paulo, onde realizou orações e reforçou seu laço com os católicos brasileiros. A visita foi curta, mas significativa, e marcou a primeira aparição do papa no maior santuário mariano da América Latina.
Durante os discursos e encontros com fiéis, o papa repetiu um chamado recorrente de seu pontificado: a juventude como protagonista das mudanças sociais. Em Copacabana, disse aos presentes que não deviam se “trancafiar”, mas sim assumir uma missão missionária e fortalecer a Igreja, especialmente na América Latina. “A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam”, declarou.
Um dos momentos mais simbólicos e potentes da visita foi o encontro com moradores da Favela da Varginha, no Complexo de Manguinhos, zona norte do Rio. Ali, Francisco proferiu um dos discursos de cunho social mais fortes de seu pontificado, criticando a desigualdade e a violência urbana. Alertou que enquanto a desigualdade social persistir, “não haverá paz duradoura”, e desafiou os jovens a continuar pressionando por justiça e melhorias.
O papa também demonstrou apoio explícito aos brasileiros que, no mês anterior, tomaram as ruas em protestos por melhorias nos serviços públicos e maior participação popular, em um momento histórico para o país. “É necessário continuar lutando por mudanças sociais”, afirmou, sendo amplamente aplaudido.
A visita de Francisco ao Brasil marcou o início de seu papado com forte presença na América Latina e consolidou sua imagem de líder próximo, humano e corajoso — qualidades que deixaram marcas profundas nos corações de milhões de brasileiros.













