Um dos principais operadores financeiros da facção criminosa Tropa do Urso, que atua em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, e em cidades vizinhas, foi preso na manhã desta quarta-feira (23), durante a Operação Wyoming. Douglas Deolindo de Souza foi localizado na Serra e detido em flagrante. Em sua residência, as equipes encontraram drogas e munições.
Douglas é apontado pelas autoridades como responsável por intermediar o fluxo financeiro do tráfico, ligando os pontos de venda de drogas em Colatina ao seu primo, Bryan Lyrio Deolindo, considerado a principal liderança da facção e atualmente foragido no Rio de Janeiro.
Segundo o delegado Deverly Pereira Júnior, titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Colatina, Douglas era quem recebia o dinheiro da comercialização das drogas e repassava os valores para o primo no Rio, fortalecendo o vínculo entre o tráfico local e a organização criminosa de fora do estado.
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Operação em Colatina começou nas primeiras horas da manhã/PF
A Operação Wyoming tem como foco a desarticulação da Tropa do Urso, facção com forte influência na região e ramificações com o Comando Vermelho. A ação foi realizada de forma integrada por equipes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (Ficco-ES), Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Dos 16 mandados de prisão expedidos pela Justiça, 11 foram cumpridos: seis contra detentos que já estavam no sistema prisional por outros crimes e cinco contra suspeitos localizados durante as diligências em Colatina — onde também ocorreram outras duas prisões em flagrante. Na Serra, além de Douglas, outros materiais ilícitos foram apreendidos.
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Polícia Federal chegando no bairro Bela Vista às 5h30 para executar prisão/Leitor
“A Tropa do Urso tem ramificações em diversas cidades da região. A operação de hoje é resultado de uma investigação minuciosa que já dura pelo menos dois anos. Apreendemos drogas, celulares, munições, e o mais importante: estamos avançando na identificação de todos os integrantes dessa organização criminosa”, afirmou o delegado Deverly.
De acordo com informações da Polícia Federal, as investigações apontam que a Tropa do Urso em Colatina atua sob ordens diretas vindas do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, onde está refugiada a liderança do grupo. Essa conexão revela o alcance interestadual da facção e a sofisticação do seu esquema criminoso.
HOMICÍDIOS BRUTAIS
Diversos crimes violentos ocorridos nos últimos anos em Colatina estão sendo ligados à Tropa do Urso. Um dos casos de maior repercussão foi o assassinato de Hernandes Alves da Silva, de 22 anos, em janeiro de 2025 no bairro 15 de Outubro. A investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que o crime foi executado por um homem enviado pela liderança da facção ao município para controlar os pontos de venda de drogas.
Outro caso brutal atribuído à Tropa do Urso foi a morte do motorista de aplicativo Weverton Bento Milanez, de 31 anos, em outubro de 2024. Ele foi assassinado a tiros no bairro Vista da Serra, e a motivação estaria relacionada a uma disputa passional envolvendo uma liderança do tráfico. O suspeito do crime, também ligado à facção, foi preso meses depois.
Segundo o delegado Deverly Pereira Júnior, titular da DHPP de Colatina, a facção tem promovido execuções com extrema violência para garantir o controle territorial do tráfico. “A Tropa do Urso atua com ordens diretas do Rio de Janeiro e tem tentado expandir seu domínio em Colatina. O objetivo das operações é enfraquecer essa estrutura criminosa e proteger a população da escalada da violência”, afirmou.
A repressão à Tropa do Urso tem mobilizado operações conjuntas entre os poderes públicos. A Operação Wyoming cumpriu 11 dos 16 mandados de prisão expedidos e resultou em prisões em flagrante, apreensão de drogas, celulares e munições. Seis dos mandados foram cumpridos contra criminosos que já estavam presos por outros delitos.
Apesar dos avanços, as autoridades destacam que a atuação da facção continua sendo uma ameaça real à segurança pública na região. O Ministério Público e as polícias seguem investigando a rede de apoio logístico e financeiro da organização, buscando atingir também os responsáveis por lavar o dinheiro do tráfico.
A expectativa é de que as ações coordenadas enfraqueçam a estrutura criminosa e ampliem a sensação de segurança na população colatinense. “Estamos mapeando cada elo dessa cadeia. Nosso objetivo é desarticular a facção por completo, de cima a baixo”, declarou um dos investigadores.
ES FALA: imagem da capa ilustrativa.













