Anta de 200 kg cai em poço e é resgatada com ajuda de guindaste em Sooretama

Uma operação de resgate que durou cerca de seis horas mobilizou mais de dez profissionais, entre veterinários e agentes ambientais, para salvar uma anta de aproximadamente 200 quilos que havia caído em um poço artesanal nos arredores da Reserva Biológica de Sooretama, no Espírito Santo. Para garantir a segurança do animal e da equipe, foi necessário sedá-lo, evitando que o estresse dificultasse ainda mais a retirada.

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Sheyla Rossi, agente ambiental da reserva que participou da ação, informou que o animal resgatado é um macho jovem. Ele sofreu escoriações, principalmente nas unhas, ao tentar escapar do poço por conta própria.

A estrutura onde a anta ficou presa tinha cerca de dois metros de profundidade e funcionava como reservatório de água na propriedade rural.

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Tamanho impressionante e cuidados pós-resgate

Devido ao porte do mamífero, nenhum centro de reabilitação no estado tinha capacidade para abrigá-lo. Assim, a anta foi levada para a sede da reserva biológica, onde recebeu cuidados veterinários e, ainda na mesma noite, foi devolvida à natureza. O monitoramento do animal será feito por agentes da reserva.

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Equívoco no chamado e surpresa da equipe

Segundo Sheyla, a reserva foi acionada entre 7h e 8h da manhã de quarta-feira por uma funcionária da propriedade, que acreditava que uma onça havia caído no poço. Ao chegarem ao local, os profissionais se depararam com uma anta — o maior mamífero terrestre da América do Sul, que pode atingir até 300 kg.

“Provavelmente ela estava pastando e acabou pisando na tampa, que era apenas de caixa d’água. Primeiro caiu cerca de um metro, depois quebrou a tampa e foi parar na água. Uma estrutura dessas não sustenta o peso de uma anta. Ele tentou sair várias vezes, se debateu e acabou se machucando. Estava exausto e emitia sons de sofrimento. Foi de partir o coração”, relatou Sheyla.

Apoio e logística do resgate

Imagens feitas no local mostram o animal com ferimentos visíveis, tentando se movimentar no espaço estreito. Para retirar a anta, foi acionada uma retroescavadeira da prefeitura, além de veterinárias e integrantes do Instituto Pró-Tapir, organização voltada à conservação da espécie na Mata Atlântica do Espírito Santo.

“Precisamos trazer duas veterinárias de São Mateus porque o animal estava muito estressado, e essa espécie é sensível ao ponto de morrer em situações assim. As profissionais entraram no poço, aplicaram sedativos orais e depois injetáveis na região lombar. Sem essa intervenção, só seria possível tirar o animal com a força de 10 a 20 pessoas”, explicou.

Após o resgate, a anta foi colocada em uma caminhonete e transportada até a sede da reserva. Apesar das tentativas, não foi encontrado um local apropriado para observação prolongada, devido ao tamanho do animal. Por isso, a decisão foi soltá-lo e realizar o acompanhamento com câmeras de monitoramento instaladas nas proximidades.

Espécie ameaçada no Espírito Santo

A Dra. Andressa Gatti, diretora executiva do Instituto Pró-Tapir, que também acompanhou a operação, destacou a situação preocupante da espécie no estado. “A anta está classificada como Criticamente em Perigo no Espírito Santo. Em várias regiões, ela desapareceu há pelo menos 70 ou 80 anos. Atualmente, sua presença é registrada apenas na Reserva Biológica do Córrego do Veado, em Pinheiros, e no Complexo Florestal Linhares-Sooretama, que abrange quatro áreas protegidas, incluindo a Reserva Biológica de Sooretama”, explicou.

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