Servidores da Prefeitura de Colatina estão enfrentando dificuldades para utilizar o novo sistema de tíquete-alimentação, implantado recentemente pela administração. Segundo relatos enviados à redação, o processo de compra nos estabelecimentos credenciados se tornou confuso, demorado e constrangedor, tanto para os servidores quanto para os comerciantes.
De acordo com os profissionais, o que antes era uma operação simples agora exige um verdadeiro “vai e volta” dentro dos supermercados. Um professor, que preferiu não se identificar, descreveu a rotina frustrante:
“Além de passar as compras no caixa e o cartão, como era antigamente, hoje passamos a compra no caixa, depois temos que ir em outro setor para fazer um procedimento e só então voltar ao caixa para finalizar. Isso tudo com clientes comuns esperando na fila, ficando impacientes. É no mínimo constrangedor”, afirmou.
A situação também atinge os comerciantes. Um deles contou que a empresa responsável pelo novo sistema havia prometido resolver a operacionalização do serviço três dias após a formalização da parceria, o que não se concretizou.
Já uma funcionária da Prefeitura afirmou que, diante dos transtornos, sequer conseguiu utilizar o benefício. “Até agora não gastei meu tíquete. Pra passar raiva, é melhor eu pagar com meu cartão de crédito e depois ver o que faço”, desabafou.
Os problemas, segundo os relatos, impactam não apenas os usuários do cartão, mas também os estabelecimentos comerciais, que precisam adaptar suas rotinas para um sistema considerado pouco prático e burocrático. “Os comércios com maior fluxo estão sendo os mais prejudicados, já que precisam modificar procedimentos que antes eram simples e rápidos”, destacou outro servidor.
Diante da insatisfação, os funcionários pedem que a Prefeitura de Colatina e o setor responsável pela contratação do novo sistema atuem com mais agilidade para resolver o problema. “Com o tíquete anterior não havia esse transtorno. Estamos falando de milhares de pessoas afetadas”, concluiu um dos profissionais.
A POLÊMICA CONTRATAÇÃO DO SERVIÇO POR PARTE DA PREFEITURA DE COLATINA
A Prefeitura de Colatina está no centro de uma polêmica após a revelação de uma contratação emergencial que ultrapassa R$ 25 milhões, feita sem licitação e com justificativas consideradas frágeis por parte da administração municipal. O tema foi criticado durante a última sessão da Câmara de Vereadores, nesta segunda-feira (14) pelo vereador Claudinei Costa, que denunciou a suposta irregularidade no processo e cobrou mais transparência da atual gestão.
Segundo o parlamentar, a contratação emergencial foi realizada sem que os requisitos legais da dispensa de licitação fossem devidamente atendidos. “Dizem que houve licitação, mas a verdade é que não houve. A administração revogou o edital e, ao invés de corrigir os erros e republicá-lo, partiu para uma contratação direta, alegando emergência. Isso não se sustenta, porque houve tempo hábil para fazer todo o trâmite corretamente”, afirmou.
O caso envolve a troca da bandeira do tíquete-alimentação utilizado pelos servidores municipais. A mudança gerou uma onda de reclamações por parte dos funcionários públicos, que relataram uma significativa redução no número de estabelecimentos credenciados com a nova operadora. “A bandeira antiga permitia compras em diversos locais. Com a nova, os servidores estão tendo dificuldades. Isso impacta diretamente no dia a dia dessas pessoas”, destacou uma funcionária pública municipal.
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Fala do vereador Claudinei Costa 1º parte
Outro ponto criticado por Claudinei Costa foi a inconsistência nas justificativas apresentadas pela Prefeitura para revogar o processo licitatório original. “No Portal Nacional de Contratações Públicas consta uma justificativa; no edital, aparece outra. E para piorar, o mesmo tipo de contratação foi realizado em Venda Nova do Imigrante, utilizando o mesmo portal. Então não dá para colocar a culpa no sistema. Há obscuridade nesse processo”, denunciou.
Para o vereador, o argumento de emergência não se sustenta diante da cronologia dos fatos. “Emergência não é justificável quando houve tempo suficiente para organizar e executar um processo licitatório adequado. Isso não foi um imprevisto, foi uma falha grave, seja por má-fé ou por incompetência administrativa”, disse.
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Fala do vereador Claudinei Costa 2º parte.
A situação ficou ainda mais tensa após relatos de que representantes da nova empresa estariam percorrendo o comércio de Colatina pedindo que os estabelecimentos aceitassem a nova bandeira. “Tiveram que sair pedindo pelo amor de Deus para que os comércios fizessem o credenciamento, enquanto os servidores estavam com medo de ficar sem poder usar o benefício”, relatou Claudinei.
Ao final do discurso, o parlamentar fez um apelo para que a Prefeitura reveja o contrato firmado sem licitação. “Isso enfraquece a transparência”, concluiu.
Procurada pela reportagem na última semana, a Prefeitura de Colatina ainda não se manifestou sobre a contratação milionária sem licitação.















