A trajetória de Samyla Menas é uma daquelas histórias que inspiram e emocionam. Aos 32 anos, ela acaba de realizar um sonho que parecia distante: se formar em Direito. Mas a conquista foi construída com muito esforço, resiliência e fé em dias melhores.
Durante dois anos, Samyla se dedicou à venda de doces para custear os estudos e manter suas despesas enquanto fazia estágio no Fórum. Nesse período, veio a gravidez e, junto dela, a insegurança provocada pela pandemia. A jovem temeu que seria o fim de seu sonho de se tornar advogada, já que, com as restrições sanitárias e a gestação, ficou inviável continuar vendendo seus produtos.
Sem desistir, ela deu um novo passo. Em 2020, Samyla foi aprovada em um concurso público no município de São Roque do Canaã, conquistando uma vaga de auxiliar de limpeza. O novo emprego trouxe a estabilidade necessária para que ela retomasse seu projeto de vida.
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Determinada, Samyla ainda estudou intensamente por um ano até conquistar uma bolsa integral pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), o que lhe permitiu concluir a graduação na Faculdade Unesc. A formatura, realizada no ano passado, foi a coroação de uma jornada marcada por lutas, sacrifícios e, acima de tudo, esperança.
A história de Samyla é um lembrete poderoso de que sonhos não têm data de validade, e que, mesmo diante das maiores dificuldades, a persistência pode transformar realidades.
PERSEVERANÇA
Dados do Censo da Educação Superior 2022 revelam que apenas 24,3% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos estão matriculados no ensino superior. A maioria, 75,7%, não ultrapassou a educação básica, sendo que 43,4% conseguiram concluir o ensino médio.
Entre os jovens de baixa renda, o cenário é ainda mais desafiador. Apenas 28% conseguem cursar o ensino superior, enquanto esse percentual chega a 38% entre os jovens de outras classes sociais.
Programas como o Prouni têm desempenhado um papel crucial na promoção da equidade educacional. Em 2023, 58% dos beneficiários do Prouni concluíram a graduação, comparado a 36% entre os estudantes que não fazem parte da política.
Além disso, iniciativas como a UniFavela e a Rede Emancipa têm contribuído para ampliar o acesso de estudantes de baixa renda às universidades, oferecendo cursinhos populares e apoio educacional.
Apesar dos avanços, a desigualdade no acesso à educação superior persiste. Em 2022, a probabilidade de um jovem de classe média alta ingressar no ensino superior era 3,5 vezes maior do que a de um jovem de classe baixa urbana.















