Duas mortes ocorridas nos últimos dias no Noroeste do Espírito Santo expõem uma dura realidade social: a dos chamados “invisíveis”, pessoas em situação de rua que, mesmo após a morte, permanecem no anonimato.
Na manhã da última quinta-feira (25), um morador de rua, Robson da Silva, foi encontrado morto no pátio da Igreja Católica, no Centro de Marilândia. A equipe de resgate foi acionada após relatos de que o homem não conseguia mais se mover. Quando os socorristas chegaram, no entanto, a vítima já estava sem vida, coberta apenas por um edredom. As polícias Militar e Civil foram chamadas, e o caso foi registrado como encontro de cadáver. Até o momento, a identidade da vítima não foi confirmada.
Em Colatina, também na quinta-feira (24), outro caso semelhante foi registrado no Hospital Silvio Avidos. Raimundo Alves Araújo Filho, de 35 anos, morreu na unidade de saúde após ter sido internado no dia 19 de abril. Segundo a assistência social do hospital, a causa da morte foi um quadro de derrame pleural agravado pela abstinência alcoólica. Raimundo não tinha endereço fixo e era atendido por programas sociais voltados à população de rua.
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O anonimato não estão apenas nas grande cidades/Crédito redes sociais
Os dois casos, separados por poucos quilômetros e por poucas minutos, ilustram uma triste faceta da desigualdade social: a de pessoas que, à margem da sociedade, partem sem despedidas, sem registros familiares e, muitas vezes, sem sequer serem reconhecidas como cidadãos plenos.
As autoridades pedem que familiares ou conhecidos que estejam à procura de entes desaparecidos entrem em contato com o Serviço Médico Legal (SML) de Colatina para mais informações e para eventuais procedimentos de identificação.
As histórias desses homens, marcadas pelo abandono e pela invisibilidade, são um chamado à reflexão sobre a necessidade de políticas públicas mais efetivas para acolher e proteger a população em situação de rua — em vida e na morte.
MORADOR DE RUA
O número de pessoas vivendo em situação de rua no Brasil atingiu a marca de 335.151 em março de 2025, segundo dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Esse número representa um aumento de 0,37% em relação a dezembro de 2024, quando havia 327.925 pessoas nessa condição. Em comparação com dezembro de 2013, quando foram registradas 22.922 pessoas em situação de rua, o aumento é de mais de 14 vezes.
Estudos apontam que os principais fatores que levam as pessoas a viver nas ruas incluem:
- Problemas familiares: conflitos com familiares e companheiros são citados por 47,3% das pessoas em situação de rua.
- Desemprego: a falta de trabalho é mencionada por 40,5% dos entrevistados.
- Uso abusivo de álcool e outras drogas: apontado por 30,4% como motivo para a situação de rua.
- Perda de moradia: indicada por 26,1% dos participantes da pesquisa.
Esses fatores refletem a complexidade do fenômeno da população em situação de rua, que envolve questões econômicas, sociais e de saúde.
A Região Sudeste concentra 63% da população em situação de rua no país, com 204.714 pessoas. O estado de São Paulo lidera com 139.799 pessoas nessa condição, representando 43% do total nacional. Em seguida, aparecem o Rio de Janeiro, com 30.801 pessoas, e Minas Gerais, com 30.244.
A maioria das pessoas em situação de rua possui baixa escolaridade: sete em cada dez não concluíram o ensino fundamental, e 11% são analfabetas. Essa realidade dificulta a inserção no mercado de trabalho e perpetua o ciclo de exclusão social.
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De pequena a grande grande cidade/crédito redes sociais
Viver nas ruas impacta negativamente a saúde física e mental das pessoas. A exposição constante a condições adversas, como falta de abrigo, alimentação inadequada e violência, contribui para o agravamento de problemas de saúde existentes e o surgimento de novos.
Políticas públicas e desafios
Apesar de existirem políticas públicas voltadas para a população em situação de rua, como abrigos e programas de assistência social, muitos desafios persistem. A falta de moradias acessíveis, oportunidades de emprego e apoio psicológico são obstáculos para a reintegração dessas pessoas à sociedade.














