No dia em que o Espírito Santo celebra Nossa Senhora da Penha, padroeira do estado, um dos pontos mais emblemáticos da fé capixaba também ganha ainda mais destaque: o Convento da Penha, em Vila Velha. Palco da tradicional Festa da Penha, o santuário reforça a devoção mariana e atrai fiéis e turistas de todas as regiões, consolidando-se como um dos principais destinos de turismo religioso do Brasil.
O que muitos não sabem é que o majestoso convento, hoje cartão-postal do Espírito Santo, teve origens simples. Sua história começou em 1558, quando frei Pedro Palácios, vindo de Portugal, construiu uma pequena ermida de pedra e cal no topo do Morro da Penha. O frei trouxe consigo um painel de Nossa Senhora das Alegrias, que permanece preservado no santuário até os dias atuais.
SIGA O INSTAGRAM DO PORTAL DE NOTÍCIAS ES FALA: @esfalaoficial

Convento da Penha, em Vila Velha. 467 anos/Crédito redes sociais
“O início foi muito simples. Era apenas uma abóbada sustentada por muros baixos, e atrás da ermida havia duas palmeiras”, relata o historiador Luiz Paulo Rangel, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha (IHGVV). Segundo ele, mesmo em seus primeiros anos, o local já recebia procissões, seguindo uma prática comum de se colocar imagens sacras nos pontos mais altos, simbolizando proteção para a cidade abaixo.
Com o passar dos séculos, o convento passou por sucessivas reformas e ampliações. Foram construídas celas, corredores, novas capelas e calçamento para a ladeira que leva ao santuário. No século XIX, obras importantes, como a construção do alpendre e melhorias estruturais na capela principal, deram ao convento o aspecto que conhecemos hoje. Desde 1955, a administração do espaço voltou a ser conduzida pelos frades franciscanos, mantendo viva a tradição de fé iniciada por frei Palácios.
Reconhecido por seu valor histórico e cultural, o Convento da Penha é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, fora do período da festa, recebe milhares de visitantes mensalmente. Durante a Festa da Penha, esse número se multiplica: na edição de 2024, mais de 2 milhões de pessoas participaram da programação, que culminou no dia 28 de abril com missas campais e homenagens emocionantes à padroeira.
Para quem sobe hoje o Morro da Penha, seja pela estrada asfaltada ou pelas trilhas tradicionais, o cenário que se descortina é o mesmo que, há mais de quatro séculos, conecta o sagrado à vida cotidiana dos capixabas. Um espaço de fé, contemplação e memória que permanece cumprindo sua missão desde o século XVI: ser ponto de encontro entre o povo e o divino.














