Agora

Juiz panquense acusado de mandar matar colega pode ser julgado por desembargadores após decisão do STF

Uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) reacendeu um antigo e complexo caso judicial no Espírito Santo: o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido há 22 anos, em Vila Velha. O novo entendimento da Corte, que manteve o foro especial para crimes cometidos no exercício da função pública, pode transferir o […]

Por ES Fala
· 3 min de leitura Atualizado · Sem comentários
Juiz panquense acusado de mandar matar colega pode ser julgado por desembargadores após decisão do STF

Uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) reacendeu um antigo e complexo caso judicial no Espírito Santo: o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido há 22 anos, em Vila Velha. O novo entendimento da Corte, que manteve o foro especial para crimes cometidos no exercício da função pública, pode transferir o julgamento do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, acusado de ser um dos mandantes do crime, da 1ª instância para o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).

O crime aconteceu em 24 de março de 2003, quando Alexandre foi executado a tiros ao chegar a uma academia em Itapuã, Vila Velha. Desde então, nove dos dez acusados já foram julgados. O único que ainda não enfrentou o júri popular é o juiz aposentado Antônio Leopoldo, que atuava com a vítima na Vara de Execuções Penais. O processo contra ele foi iniciado em 2005, mas vem sendo adiado, especialmente desde 2021, quando um laudo pericial passou a ser questionado.

Agora, com o novo posicionamento do STF, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) apresentou um recurso apontando que o crime tem relação direta com a função exercida por Leopoldo na época, e que, por isso, deve ser julgado por desembargadores. “Percebe-se ser imperioso que a questão seja enfrentada”, destaca o recurso.

O mesmo entendimento já foi aplicado em outro caso recente envolvendo um magistrado capixaba aposentado após acusação de assédio sexual. Na ocasião, o TJES decidiu manter o processo no segundo grau, rejeitando o envio à primeira instância.

O MP também pede a manutenção no processo de um laudo pericial sobre a transcrição de um depoimento prestado por Leopoldo em 2005, no gabinete do então presidente do inquérito judicial, desembargador Pedro Valls Feu Rosa. A gravação do depoimento foi incluída ao processo em 2021 e, segundo o MP, trata-se de uma prova lícita.

O órgão argumenta que o juiz aposentado foi interrogado com consentimento e não demonstrou constrangimento. “Foi colhida com consentimento do apelado e do desembargador, sendo desnecessário comprovar ausência de constrangimento, já que ele não exerceu o direito ao silêncio nem solicitou advogado”, diz o texto do MP.

O advogado de defesa, Flávio Fabiano, rebate. Segundo ele, a discussão sobre o foro privilegiado está superada há quase 20 anos. “Houve trânsito em julgado sobre essa matéria. A decisão do STF só afeta processos que ainda aguardam definição”, afirma.

Sobre a gravação, alega que o material foi anexado tardiamente e de forma ilegal. “Trata-se de gravação sem autorização judicial, com o cliente preso, desacompanhado de defensor, sem ciência de que estava sendo formalmente interrogado”, destaca. A defesa também sustenta que o laudo foi produzido por meio de “engodo” e afirma que houve desaparecimento de provas durante a fase de investigação.

Ainda segundo Fabiano, chegou a ser proposto a Leopoldo um acordo de delação premiada, com admissão de culpa por omissão, o que teria sido rejeitado. Ele afirma que o então desembargador Pedro Feu Rosa declarou que o juiz aposentado “não tinha participação na morte” do colega Alexandre Martins.

Compartilhe esta notícia

Sem comentários

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de aparecer.

Mais em Cidades

As notícias da semana no seu e-mail

Todo fim de semana, o resumo do que mais importou em Colatina, no Noroeste e no Espírito Santo. Grátis, e dá para sair quando quiser.