Pela primeira vez, o município de Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo, participou do Desafio Mundial da Natureza Urbana e conquistou um resultado expressivo: ficou entre os cinco primeiros colocados do Brasil, superando grandes centros urbanos como São Paulo e Curitiba em número de observações e diversidade de espécies.
A competição, promovida pela plataforma iNaturalist, tem o objetivo de incentivar o registro da biodiversidade urbana ao redor do mundo. Entre os dias 25 e 28 de abril, 101 moradores de Santa Teresa contribuíram com 9.159 registros de plantas, animais e fungos. Ao todo, foram identificadas 1.880 espécies diferentes.
A coordenação local foi realizada pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). Até o dia 4 de maio, prazo final para validação dos dados, 579 espécies já haviam sido confirmadas — um processo que depende da concordância entre diferentes observadores, o que confere credibilidade científica aos dados e permite seu uso por instituições de pesquisa.
O envolvimento da comunidade foi um dos pontos altos da participação capixaba. O morador Athos Souza se destacou nacionalmente, ficando entre os 10 maiores observadores do país, com 809 registros e 299 espécies identificadas, o que lhe garantiu o terceiro lugar no ranking brasileiro.
“Ficar entre os 10 melhores no desafio nacional do iNaturalist foi uma experiência especial. A ciência cidadã une paixão, propósito e aprendizado, e nos incentiva a cuidar da biodiversidade”, afirmou Athos.
Descobertas inéditas
A mobilização dos moradores também possibilitou descobertas inéditas. Uma espécie rara de vespa-serra, antes registrada apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo, foi observada pela primeira vez em Santa Teresa. “Agora sabemos que também ocorre aqui”, destacou o pesquisador Thiago Mahlmann, do INMA.
Entre os animais, a aranha Nephilingis cruentata, conhecida como maria-bola, foi a espécie mais registrada na cidade. Em segundo lugar ficou o jacu, uma ave típica da Mata Atlântica e bastante comum nas trilhas do Parque do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão. No grupo das plantas, o destaque foi a orelha-de-onça, um arbusto de flores roxas nativas da região.
O desempenho de Santa Teresa no desafio mostrou como cidades de pequeno porte podem ter papel relevante na conservação ambiental, sobretudo com o engajamento da população e o apoio de instituições científicas.














