O renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado faleceu nesta sexta-feira (23) em decorrência de complicações provocadas pela malária, doença infecciosa com a qual convivia desde 1990. De acordo com relatos de amigos, os medicamentos usados no tratamento haviam deixado de surtir efeito nos últimos anos, o que agravou o estado de saúde do artista.
Nascido em Aimorés, Minas Gerais, Salgado ganhou reconhecimento internacional por seus registros documentais de forte impacto social e humanitário, tendo percorrido dezenas de países retratando temas como migração, pobreza, meio ambiente e conflitos armados. Seu trabalho, marcado pelo preto e branco e por uma linguagem visual poderosa, lhe rendeu diversos prêmios e o título de um dos maiores fotógrafos do século.
Segundo o Ministério da Saúde, a malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos ao ser humano por meio da picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, também conhecido como mosquito-prego. A doença não é contagiosa de pessoa para pessoa e sua transmissão se dá exclusivamente por vetores.
Com nomes populares como maleita, sezão, tremedeira ou febre palustre, a malária pode apresentar sintomas leves ou severos, e, se não tratada adequadamente, pode levar à morte. Pessoas com múltiplos episódios da doença podem desenvolver uma imunidade parcial, mas a proteção total ainda não é cientificamente comprovada.
No Brasil, a maioria dos casos se concentra na região Amazônica, mas o Ministério da Saúde alerta que, nas regiões fora da Amazônia — onde os casos são mais raros — a letalidade é maior, devido à menor familiaridade com o diagnóstico precoce e tratamento imediato.
Sebastião Salgado deixa um legado inestimável para a fotografia mundial e para a luta por justiça social e preservação ambiental. Sua morte representa uma perda profunda para a cultura brasileira e para o cenário internacional das artes visuais.
Prevenção
- Borrifação residual intradomiciliar (BRI);
- Uso de mosquiteiros impregnados com inseticida de longa duração;
- Pequenas obras de saneamento para drenagem e aterro de criadouros do vetor;
- Limpeza das margens dos criadouros;
- Melhoramento da moradia e das condições de trabalho;
Vacinação
Conforme o Ministério da Saúde, não existe vacina contra a malária no Brasil. A vacina disponível serve apenas para alguns países africanos com alta transmissão de malária por Plasmodium falciparum e é exclusiva para crianças pequenas.
Transmissão
A malária é transmitida através da picada da fêmea do mosquito do gênero Anopheles infectada por uma ou mais espécies de protozoário do gênero Plasmodium. O mosquito anofelino também é conhecido como carapanã, muriçoca, sovela, mosquito-prego e bicuda. Estes mosquitos são mais abundantes ao entardecer e ao amanhecer. Todavia, são encontrados picando durante todo o período noturno. Apenas as fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles são capazes de transmitir a malária. A malária não pode ser transmitida pela água.
Os locais preferenciais escolhidos pelos mosquitos transmissores da malária para colocar seus ovos (criadouros) são coleções de água limpa, sombreada e de baixo fluxo, muito frequentes na Amazônia Brasileira. O ciclo se inicia quando o mosquito pica um indivíduo com malária sugando o sangue com parasitos (plasmódios). No mosquito, os plasmódios se desenvolvem e se multiplicam. O ciclo se completa quando estes mosquitos infectados picam um novo indivíduo, infectando a pessoa com os parasitos.
O período de incubação, ou seja, o intervalo entre a aquisição do parasito pela picada da fêmea do mosquito até o surgimento dos primeiros sintomas, varia de acordo com a espécie de plasmódio. Para Plamodium falciparum, mínimo de sete dias; P. vivax, de 10 a 30 dias e P. malariae, 18 a 30 dias. Não há transmissão direta da doença de pessoa a pessoa. Outras formas de transmissão também podem ocorrer em casos mais raros por: transfusão sanguínea, uso de seringas contaminadas, acidentes de laboratório e transmissão congênita.
Sintomas
Os sintomas mais comuns da malária são:
- Febre alta
- Calafrios
- Tremores
- Sudorese
- Dor de cabeça
Muitas pessoas, antes de apresentarem estas manifestações mais características, sentem náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite.
Diagnóstico
O diagnóstico correto da infecção malárica só é possível pela demonstração do parasito, ou de antígenos relacionados, no sangue do paciente.
Tratamento
Após a confirmação da malária, o paciente recebe o tratamento em regime ambulatorial, com comprimidos que são fornecidos gratuitamente em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Somente os casos graves deverão ser hospitalizados de imediato. O tratamento indicado depende de alguns fatores, como a espécie do protozoário infectante; a idade e o peso do paciente; condições associadas, tais como gravidez e outros problemas de saúde; além da gravidade da doença.
Quando realizado de maneira correta e em tempo oportuno, o tratamento garante a cura da doença. O diagnóstico oportuno seguido, imediatamente, de tratamento correto são os meios mais efetivos para interromper a cadeia de transmissão e reduzir a gravidade e a letalidade por malária.
O tratamento da malária visa atingir ao parasito em pontos-chave de seu ciclo evolutivo, que podem ser didaticamente resumidos em:
- Interrupção da esquizogonia sanguínea, responsável pela patogenia e manifestações clínicas da infecção;
- Destruição de formas latentes do parasito no ciclo tecidual (hipnozoítos) das espécies P. vivax e P. ovale, evitando assim as recaídas;
- Interrupção da transmissão do parasito, pelo uso de medicamentos que impedem o desenvolvimento de formas sexuadas dos parasitos (gametócitos).














