A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (30) o acionamento da bandeira tarifária vermelha patamar 1 para o mês de junho. Isso significa que haverá uma cobrança adicional de R$ 4,46 a cada 100 kWh (quilowatt-hora) consumidos na conta de luz de milhões de brasileiros, incluindo os moradores das regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo.
A decisão foi tomada em razão da redução na geração de energia pelas hidrelétricas, provocada por chuvas abaixo da média em todo o país. Com isso, será necessário o uso de fontes mais caras, como as usinas termoelétricas, o que eleva os custos de produção de energia.
Desde fevereiro, o cenário hidrológico piorou consideravelmente, o que acendeu o alerta da Aneel. Além do risco hidrológico (GSF), outro fator que influenciou a decisão foi o aumento no Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que calcula o valor da energia a ser produzida em determinado período.
De dezembro de 2023 até abril de 2024, a bandeira verde vigorava no país, beneficiada pelas condições favoráveis do período chuvoso. No entanto, em maio a Aneel já havia ativado a bandeira amarela, e agora, diante de um quadro ainda mais crítico, foi necessário o avanço para a bandeira vermelha.
Segundo o engenheiro elétrico Lucas Paiva, sócio-fundador da Lead Energy, a situação é reflexo de um outono e inverno com chuvas muito abaixo da média, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, que concentram cerca de 70% da capacidade de armazenamento hídrico do Brasil. Ele alerta ainda para a projeção de queda nos níveis de armazenamento dos reservatórios, que devem passar de 69% em abril para 55% até outubro, de acordo com dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
A orientação da Aneel e de especialistas do setor é para que a população redobre os cuidados com o consumo de energia elétrica, buscando formas de economizar para evitar surpresas no valor da conta no fim do mês.













