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Processo bilionário contra a BHP avança na Inglaterra: audiências preliminares já têm data marcada

Primeira sentença pode sair ainda neste ano, e segunda fase está marcada para 2026; ação envolve mais de 400 mil brasileiros afetados pelo rompimento da barragem de Mariana

Por ES Fala
· 2 min de leitura Atualizado · Sem comentários
Processo bilionário contra a BHP avança na Inglaterra: audiências preliminares já têm data marcada

O processo movido no Reino Unido por vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), deu mais um passo importante. A Justiça britânica agendou audiências preliminares para os dias 2 e 3 de julho de 2025, dando sequência à ação coletiva contra a mineradora BHP Billiton, uma das controladoras da Samarco, ao lado da Vale.

A expectativa é que a primeira sentença seja divulgada entre junho e julho deste ano, após anos de disputas judiciais e fases processuais que envolveram desde o reconhecimento do caso até a definição das responsabilidades da empresa anglo-australiana no desastre ambiental.

A tragédia de Mariana, ocorrida em novembro de 2015, deixou 19 mortos, devastou comunidades inteiras e comprometeu o ecossistema de toda a Bacia do Rio Doce. Desde então, milhares de atingidos têm buscado reparação por meio de diferentes frentes judiciais, tanto no Brasil quanto no exterior.

Processo entra em fase decisiva

A ação coletiva no Reino Unido é considerada uma das mais ambiciosas já movidas por vítimas brasileiras no exterior. Iniciada por meio do escritório Pogust Goodhead, ela chegou a envolver mais de 700 mil pessoas, embora parte dos atingidos tenha migrado para o Programa de Indenização Definitiva (PID) oferecido pela Samarco no Brasil.

Ainda assim, estima-se que mais de 400 mil autores permanecem no processo britânico, que pode resultar em indenizações individuais superiores a R$ 300 mil, conforme estimativas de advogados e especialistas.

Além de definir se a BHP será considerada responsável direta pelos danos, o processo também discute valores de reparação, critérios de elegibilidade e impacto social e ambiental do desastre — temas que serão abordados de forma mais profunda na segunda fase do julgamento, prevista para começar em 2026.

Para os atingidos que optaram por não aderir ao PID, a ação no Reino Unido representa a chance de obter uma reparação mais ampla e proporcional aos danos sofridos. No entanto, o caminho judicial é mais longo e complexo, e só com a sentença da primeira fase — prevista para as próximas semanas — é que se poderá avaliar o real potencial de indenização.

A sentença que sairá ainda neste ano será fundamental para definir os rumos do caso e poderá repercutir inclusive nas estratégias de defesa da BHP em outros países. O caso também é acompanhado de perto por órgãos internacionais de direitos humanos e por movimentos sociais que cobram justiça integral para os atingidos.

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