Do céu ao chão: produtores de Colatina, Linhares e cidades do Norte e Noroeste do ES sentem impacto com queda histórica no preço do café

Conilon despenca mais de 50% e arábica cai 35% desde o pico; recomposição da oferta global e saída de fundos de investimento pressionam cotações

O mercado de café passou por uma reviravolta entre o final de 2024 e o primeiro semestre de 2025. Após atingir valores recordes no início do ano, tanto o arábica quanto o conilon amargam quedas acentuadas nos últimos meses. A principal causa: uma recomposição significativa da oferta mundial, aliada à saída de grandes fundos de investimento do mercado de commodities.

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No auge da euforia, a saca de 60 quilos de conilon tipo 7 chegou a ser cotada a R$ 2.010,00 entre o final de janeiro e o início de fevereiro. O arábica bebida dura, no mesmo período, alcançou R$ 2.645,00 — e chegou a R$ 3 mil no Sul de Minas Gerais. Porém, o cenário mudou drasticamente.

De acordo com dados da Cooabriel, em 16 de julho, o conilon era negociado a R$ 970,00, uma queda de 51,7% em relação ao pico. O arábica, segundo cotação do Centro do Comércio de Café de Vitória, estava em R$ 1.700,00, recuo de 35,7%.

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“Estou há 45 anos no comércio de café e nunca vi preços tão elevados e nem uma queda tão forte e rápida como essa”, afirmou à reportagem um dos maiores comerciantes de café do Espírito Santo.

A valorização que antecedeu a queda foi impulsionada por altas na demanda global — especialmente em mercados como China — e quebras sucessivas de safra em países como Vietnã, Indonésia, Colômbia e Etiópia. A escassez elevou os preços, atraindo fundos internacionais de investimento, que passaram a comprar grandes volumes de contratos futuros em bolsas internacionais, empurrando artificialmente as cotações ainda mais para cima.

Com a recuperação parcial das safras na Indonésia e Vietnã (principais produtores de robusta), além de projeções otimistas para Colômbia, Etiópia e Brasil, o cenário se inverteu. O Brasil, maior produtor global de arábica e conilon, deve registrar em 2026 uma safra que pode superar 70 milhões de sacas, desde que não haja eventos climáticos adversos.

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Com isso, os mesmos fundos que ajudaram a inflar os preços começaram a liquidar suas posições, intensificando a pressão de baixa no mercado internacional.

Apesar da queda acentuada, os contratos de arábica na Bolsa de Nova York ainda estão acima dos valores de entrada dos fundos, segundo especialistas.

E o que esperar daqui para frente?

Para o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Cândido Ferreira, o momento é de cautela. Ele reconhece que os preços vistos no início do ano foram “fora da curva”, e que a tendência, com a oferta ajustada e a demanda aquecida, é de estabilização com viés de baixa.

“Temos uma expectativa de produção muito forte no mundo, o que pode levar os preços mais para baixo. A demanda segue em alta, com destaque para a China. Claro que um acidente climático muda tudo, mas a situação atual é de grande volume de produção”, afirmou.

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