Agora

Justiça mantém “Festa da Cidade” e nega pedido do MP para suspender contratos e bloquear R$ 7,77 milhões em Colatina

Magistrado aponta ausência de requisitos para liminar e risco de “dano reverso” econômico e social; Município terá de apresentar processos administrativos que embasaram as contratações

Por ES Fala
· 2 min de leitura · Sem comentários
Justiça mantém “Festa da Cidade” e nega pedido do MP para suspender contratos e bloquear R$ 7,77 milhões em Colatina

O juiz Menandro Taufner Gomes, da Vara da Fazenda Pública de Colatina, indeferiu o pedido de tutela de urgência apresentado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para suspender os contratos da Festa da Cidade 2025, bloquear R$ 7.767.939,34 e transferir o montante para os Fundos Municipais de Saúde, Educação e da Infância e Juventude. Com a decisão, proferida nesta quinta-feira (21), o evento previsto entre 21 e 24 de agosto segue mantido.

Na Ação Civil Pública, o MP questionou o custo total da programação e detalhou três frentes de despesa:

  • Cachês artísticos: R$ 2.405.500,00;
  • Infraestrutura (Mirante Serviços e Locações LTDA): R$ 4.980.983,57;
  • “Patrocínio” (+707 Soluções em Marketing e Eventos LTDA): R$ 381.455,77.

A Promotoria sustentou que o gasto é “exorbitante” frente à precariedade de serviços essenciais, apontando que o Município teria aplicado 17,66% da receita em Educação (abaixo do mínimo constitucional de 25%) e promovido corte de 40% na verba de medicamentos de urgência da Saúde, com 1.097 crianças aguardando atendimento em neuropediatria. O MP também criticou o contrato rotulado como “patrocínio”, afirmando que ele permitiria à empresa explorar comercialmente camarotes VIP e convites em área pública sem contrapartida ao erário.

Por que a liminar foi negada

Ao analisar o pedido, o juiz concluiu que não se comprovou, nesta fase inicial, a probabilidade do direito nem o risco de dano que autorizassem a medida extrema. Entre os fundamentos, o magistrado destacou:

  • Separação de Poderes e discricionariedade: cabe ao Executivo decidir realizar eventos e alocar recursos dentro das rubricas previstas (cultura, saúde e educação), sem evidência de remanejamento ilegal de verbas vinculadas;
  • Controle judicial limitado à legalidade, não ao mérito da gestão (se o gasto é “alto” ou “baixo”);
  • Dano reverso: cancelar a festa às vésperas causaria prejuízo econômico a setores como bares, restaurantes, hotelaria, transporte e ambulantes, impacto social (frustração coletiva e insegurança jurídica) e lesão à memória cívica da cidade.

O juiz observou ainda que eventuais irregularidades pontuais — como as apontadas no contrato de “patrocínio” — estão sendo discutidas em outra ação e, por si sós, não contaminam todos os demais contratos a ponto de justificar a suspensão integral do evento neste momento.

O que foi determinado

  • Indeferida a tutela de urgência para suspender contratos, bloquear verbas e transferir recursos;
  • Citação do Município de Colatina para apresentar contestação;
  • Apresentação integral, pelo Município, dos Processos Administrativos 15938/2025 (+707 Soluções) e 017025/2025 (Mirante Serviços) que embasaram as contratações;
  • Intimação das partes para ciência da decisão.

Compartilhe esta notícia

Sem comentários

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de aparecer.

Mais em Cidades

As notícias da semana no seu e-mail

Todo fim de semana, o resumo do que mais importou em Colatina, no Noroeste e no Espírito Santo. Grátis, e dá para sair quando quiser.