O prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, enfrenta forte reação da comunidade escolar após encaminhar à Câmara Municipal dois projetos que alteram profundamente a forma de escolha dos gestores da rede pública de ensino. As medidas substituem a eleição direta — que garantia participação de professores, pais e alunos — por processo seletivo interno conduzido pela Secretaria de Educação.
A decisão do prefeito contrasta com sua própria promessa de campanha. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o então candidato garantindo que cumpriria a legislação que determina a votação direta para diretores escolares. Hoje, já no cargo, Renzo adota uma postura oposta, que tem sido considerada por profissionais e entidades como um retrocesso democrático.
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Em campanha eleitoral o então candidato Renzo Vasconcelos garantiu escolha democrática/Redes sociais
“É revoltante ver um gestor que, em campanha, usou o discurso da democracia escolar para conquistar votos e, agora no poder, faz justamente o contrário. Enviar um projeto para extinguir as eleições diretas nas escolas é um tapa na cara de professores, pais e alunos que acreditaram em sua palavra”, revela um professora da rede municipal.
Os projetos em análise
- Projeto de Emenda à Lei Orgânica nº 04/2025: altera o artigo 260 da Lei Orgânica do Município e extingue a eleição direta para diretores e coordenadores escolares.
- Projeto de Lei Complementar nº 07/2025: modifica o artigo 51 do Estatuto do Magistério, formalizando o fim da votação direta e excluindo a menção aos coordenadores, o que pode impactar diretamente a gratificação recebida por esses profissionais.
Para diretores, professores e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Colatina (SISPMC), a medida representa uma ruptura com um processo de escolha construído com participação popular ao longo de anos.
“A proposta do prefeito representa um ataque direto à democracia nas escolas. Retirar da comunidade escolar o direito de escolher seus gestores é um retrocesso”, disse um diretor.
O sindicato também critica a falta de diálogo e o impacto financeiro para os educadores:
“Além de impor mudanças sem ouvir a categoria, a administração desvaloriza os profissionais, extingue gratificações e ignora o papel dos coordenadores. É mais um golpe na motivação dos educadores”, afirmou uma professora.
“A contradição é clara: quando precisava do apoio da comunidade escolar, Renzo defendia a lei e se comprometia publicamente com a votação direta. Hoje, como prefeito, prefere centralizar o poder nas mãos da Secretaria de Educação, ignorando totalmente a participação popular. É mais um retrocesso democrático”, relata uma pedagoga que participou do processo desde 2002.
Pais de alunos também se manifestaram contra o projeto, reforçando o caráter autoritário da iniciativa.
“O envio desses projetos sem ouvir professores, pais e alunos mostra uma gestão distante da realidade das escolas. A falta de transparência reforça a ideia de que a educação não é prioridade”, declarou o pai de uma estudante.
A principal crítica, no entanto, recai sobre a contradição entre a postura atual do prefeito e sua promessa registrada em vídeo durante a campanha eleitoral. Ao defender, naquele momento, o respeito à legislação que previa eleições diretas, Renzo buscou apoio da comunidade escolar. Hoje, com a tentativa de extinguir a votação, o prefeito passa a ser acusado de romper com um compromisso público e de enfraquecer a democracia dentro das escolas de Colatina.















