Uma servidora da Câmara Municipal de Itaguaçu, no Noroeste do Espírito Santo, foi presa em flagrante na última quarta-feira (17) sob suspeita de desviar recursos do Legislativo. A diretora contábil Vilma Maria do Rosário Manhani, que exercia cargo comissionado há mais de 10 anos, foi exonerada após a prisão.
Segundo o delegado Renan Alves dos Santos, responsável pela investigação, a própria Câmara comunicou a Polícia Civil sobre o suposto desvio. A suspeita surgiu depois que um servidor efetivo assumiu o cargo e solicitou acesso às contas da Casa, mas não recebeu as senhas de Vilma, que concentrava todas as movimentações financeiras.
Diante da recusa, o presidente da Câmara, Cristian Casagrande (Podemos), e outro servidor foram até a instituição bancária, onde constataram transferências de dinheiro público para a conta pessoal da diretora, inclusive uma realizada na terça-feira (16), o que embasou o pedido de prisão em flagrante.
O levantamento preliminar identificou R$ 71 mil desviados em apenas três meses, mas a Polícia Civil não descarta que o montante seja muito maior, já que Vilma estava há anos no cargo. “Vamos dar continuidade às investigações, até para verificar a extensão do dano e se há participação de outras pessoas”, afirmou o delegado.
O assessor jurídico da Câmara, Enoc Joaquim da Silva, destacou que Vilma tinha a confiança de diferentes gestões. “Ela era responsável por todo o processo contábil da Casa e passou por várias presidências. Ninguém esperava, fomos todos surpreendidos”, declarou.
Em nota oficial, a presidência da Câmara informou que está fornecendo todos os dados à Polícia Civil e que instaurará procedimento administrativo interno. “É fundamental assegurar à população itaguaçuense que todas as apurações serão realizadas com rigor, transparência e imparcialidade, visando ao total esclarecimento dos fatos e à responsabilização de quem quer que seja”, diz o comunicado.
Um detalhe curioso foi registrado pelo delegado: a prisão ocorreu dentro da Câmara, no momento em que Vilma participava de um curso sobre controle de gastos públicos e boas práticas de fiscalização. A abordagem foi feita sem alarde, e a servidora não ofereceu resistência.
O advogado Raphael Petronetto, que assumiu a defesa de Vilma, informou que pedirá a liberdade da cliente na audiência de custódia marcada para esta sexta-feira (19). Ele ressaltou que ela é ré primária, possui endereço fixo e não haveria motivo para sua manutenção na Penitenciária de Colatina, onde está presa.
Segundo o advogado, a família ficou surpresa com a acusação e garantiu que não houve mudanças no padrão de vida de marido e filhos. “Se confirmado que houve apropriação de dinheiro, a família não usufruiu desses recursos”, disse Petronetto.















