Um possível surto de infecção respiratória semelhante à pneumonia atinge funcionários do Hospital Santa Rita, que fica em Vitória, e tem causado preocupação entre profissionais de saúde e familiares.
Segundo relatos, 26 funcionários — entre técnicos de enfermagem, enfermeiros e outros profissionais — apresentaram sintomas semelhantes, incluindo febre alta, tosse seca, dor no corpo e dificuldade para respirar.
Uma técnica de enfermagem, que preferiu não se identificar, relatou estar internada há dias com suspeita de pneumonia viral e que pode ser transferida para a UTI.
“Não posso voltar para casa porque nem os médicos sabem o que eu tenho”, desabafou.
Ela contou que os primeiros sintomas surgiram há cerca de duas semanas.
“Comecei a sentir dor no corpo, dor de cabeça, febre e uma tosse seca. Achei que fosse uma gripe comum, mas a febre aumentou e passei a ter dores no peito e nas costas. Achei que estava infartando, porque a dor era muito forte e minha pressão subiu”, relatou.
No pronto-socorro, os exames mostraram taxa de infecção elevada (PCR) e tomografia compatível com pneumonia viral. Mesmo após tratamento com antibióticos e corticoides, o quadro evoluiu, exigindo oxigênio e internação.
“Meu pulmão estava tomado, mas agora o nível de infecção está diminuindo. Faço fisioterapia duas vezes por dia. Eu nunca fumei na vida e agora meu pulmão está como o de alguém de 80 anos que fumou a vida toda”, destacou.
A profissional contou que o alerta veio quando outros colegas começaram a ser internados nos mesmos dias com sintomas parecidos.
“Fomos juntando as informações e vimos que eram os mesmos casos”, disse.
Uma gerente administrativa, que também pediu anonimato, relatou que tem um parente enfermeiro do Hospital Santa Rita infectado e isolado em casa.
“Há cerca de 13 dias, a equipe notou que alguns médicos começaram a usar máscara N95. Dias depois, os primeiros casos surgiram. Meu parente chegou em casa passando mal, com febre alta, dor no corpo e falta de ar”, contou.
Segundo ela, o enfermeiro foi diagnosticado com pneumonia bacteriana, mas sem identificação da bactéria causadora.
“Ele está isolado no quarto, sem contato com a família. As coisas passam pela porta, tudo é higienizado com álcool. A mulher e os filhos usam máscara. Por conta do cansaço e da baixa saturação, ele dorme de bruços para tentar respirar melhor.”
A gerente relatou ainda que o quadro clínico se agravou, mas o hospital optou por não internar o profissional.
“Ele teve uma crise de tosse e ficou roxo. Está de atestado há quase duas semanas. Ninguém sabe o que está acontecendo, e isso preocupa todos”, afirmou.
Profissionais ouvidos pela reportagem afirmam que há temor de falar publicamente sobre o caso, por medo de represálias e demissões.
“Muitos têm medo de falar, mas temos que nos manifestar para não ser igual à covid, com tantas pessoas mortas”, disse a gerente.
Até o momento, as causas dos sintomas não foram esclarecidas. As autoridades de saúde investigam possíveis agentes virais ou bacterianos e não descartam a hipótese de contaminação ambiental.















