Três capixabas morrem e três são presos durante megaoperação no Rio de Janeiro

Sesp confirma identidade dos mortos e presos na maior chacina da história fluminense; governo capixaba monitora possível migração de criminosos

A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) confirmou, nesta sexta-feira (31), que três capixabas morreram e outros três foram presos durante a megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro, realizada esta semana nos Complexos do Alemão e da Penha. A ação é considerada a maior chacina da história do Estado.

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De acordo com a Sesp, uma mulher de 18 anos, esposa de um dos mortos, também foi presa na quinta-feira (30) durante uma ação do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), na Serra.

Entre os mortos estão Jeanderson Bismarque Soares de Almeida, apontado pela polícia como envolvido com o tráfico de drogas em Cachoeiro de Itapemirim, nos bairros Alto Independência e Nossa Senhora Aparecida. Ele era investigado por homicídio ocorrido em fevereiro e tinha mandado de prisão em aberto. Jeanderson teria fugido para o Complexo do Alemão há alguns meses.

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Outro morto, Fabian Alves Martins, considerado comparsa de Jeanderson, também era investigado por envolvimento no mesmo homicídio. Segundo a Sesp, ele tinha posição de destaque no tráfico do bairro Nossa Senhora Aparecida e era alvo da segunda fase da Operação Serodia, deflagrada pela Polícia Civil capixaba em abril.

O terceiro capixaba morto foi Alisson Lemos Rocha, conhecido como “Russo” ou “Gordinho do Valão”, morador de Nova Carapina, na Serra. Ele também era investigado por tráfico e por um assassinato ocorrido em abril no Residencial Mestre Álvaro.

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Presos são do Norte do Estado

A Sesp confirmou ainda as prisões de três capixabas com mandados de prisão em aberto.
Entre eles está Rauflan Santos Costa, de Rio Bananal, detido por tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma.
Outros dois presos são Cleyton Silvestre Pereira e Cleison Souza Jesus, ambos de Linhares, que haviam fugido do sistema prisional em abril de 2025 e dezembro de 2022, respectivamente.

A mulher de 18 anos, identificada como esposa de “Russo”, foi presa após uma denúncia anônima que indicava a retirada de drogas e armas de sua residência, logo após a morte do companheiro.
Durante a abordagem no bairro Barra Branco, na Serra, as equipes do Denarc apreenderam maconha e “catuques”, anotações que indicam o controle de contabilidade do tráfico.

Segundo informações do jornal O Globo, 117 mortos já foram identificados, sendo 39 de outros estados. Nenhum dos mortos havia sido formalmente denunciado na investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que originou a operação.
O Governo do Rio informou que 42 possuíam mandados de prisão e 30 não tinham antecedentes criminais, mas que 78 apresentavam histórico policial.

Durante a ação, 113 pessoas foram presas, embora apenas 20 dos 100 mandados previstos inicialmente tenham sido cumpridos.

A Defensoria Pública do Rio informou que recebeu relatos de execuções e decapitações, descritos como “incompatíveis com um cenário de confronto”.

Governo do ES monitora fronteiras e debate político ganha força

Com a repercussão nacional, o Governo do Espírito Santo anunciou um plano de contingência para monitorar possíveis migrações de integrantes de facções cariocas para o território capixaba.
Até o momento, não há indícios de movimentação criminosa nas fronteiras.

O caso também gerou repercussão política. O presidente da Assembleia Legislativa (Ales), Marcelo Santos (União), defendeu o fechamento das fronteiras com o Rio de Janeiro e afirmou ter enviado um ofício ao governador Renato Casagrande (PSB) solicitando medidas de segurança mais rígidas.

Casagrande, por sua vez, adotou uma postura crítica em relação aos resultados da megaoperação, enquanto setores da direita pedem o endurecimento do combate ao crime organizado.

Em meio às repercussões, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmou para a terça-feira (4) a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.

Entre os senadores que compõem a CPI estão os três representantes capixabas: Marcos do Val (Podemos), Magno Malta (PL) e Fabiano Contarato (PT) — este último na condição de suplente.

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