O advogado britânico Thomas Goodhead, cofundador e até recentemente CEO do escritório Pogust Goodhead, deixou oficialmente a empresa no dia 11 de setembro de 2025, conforme registro do Companies House, órgão comercial do Reino Unido. A saída foi formalizada dias após sua suspensão em agosto, em meio a acusações de má gestão financeira e uso indevido de fundos.
O Pogust Goodhead é o escritório responsável pela ação coletiva bilionária contra a mineradora BHP Billiton, movida em nome de cerca de 640 mil vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015 — considerado o maior desastre socioambiental do Brasil.
Acusações de luxo e má gestão
Segundo o jornal britânico Daily Mail, Goodhead, de 43 anos, foi obrigado a deixar a firma após uma investigação interna conduzida pelo escritório global DLA Piper, que identificou uso de recursos de investidores e financiadores da causa para despesas pessoais.
O relatório aponta que o advogado teria utilizado verbas destinadas a litígios para custear viagens em jatos particulares, festas em iates e hospedagens em hotéis de luxo, incluindo o Hotel Emiliano, no Rio de Janeiro, onde exigia “a maior suíte” disponível.
Entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, Goodhead teria solicitado mais de uma dúzia de voos privados e trajetos de helicóptero pelo Brasil, com custo estimado em 82 mil libras esterlinas (cerca de R$ 600 mil). Entre as viagens citadas, estão um voo de Vitória ao Rio de Janeiro por 5,6 mil libras e outro de São Paulo ao Rio, por 5,9 mil libras.
Festas em iates e gastos pessoais
O jornal também revelou que o ex-CEO promoveu duas festas em iates no Rio de Janeiro, em agosto e dezembro de 2023, com pacote premium de churrasco e open bar, além de outro evento em setembro de 2024, estimado em 3,9 mil libras.
Uma fonte ligada à empresa declarou ao Daily Mail:
“Tom queria nos apresentar como um escritório de elite, sobrevoando zonas de desastre de helicóptero e dando festas em superiates. Mas o foco deve ser o cliente — não é uma viagem de fim de semana para o Brasil.”
O relatório da DLA Piper ainda indica que mais de 500 mil libras em despesas pessoais foram processadas pela conta de empréstimo do diretor da empresa. Entre os gastos estão hospedagens durante reformas em sua casa, voos de classe executiva para familiares e até um curso de direção defensiva.
A investigação também aponta que o escritório investiu mais de 100 mil libras na produção de um documentário sobre suas atividades no Brasil.
Em meio à crise, a apuração revelou que as dívidas da Pogust Goodhead ultrapassam 500 milhões de libras e que contratos de crédito com financiadores podem ter sido violados.
Após a suspensão de Goodhead, a diretora de operações Alicia Alinia assumiu a liderança e anunciou uma reestruturação cultural e a criação de uma nova estrutura de governança. A saída definitiva do advogado foi registrada oficialmente em 11 de setembro.
A Pogust Goodhead é a principal responsável por conduzir a ação coletiva contra a mineradora BHP Billiton nos tribunais britânicos, um processo que busca compensações bilionárias pelas devastações provocadas na bacia do Rio Doce, afetando diretamente cidades como Colatina, Linhares e Baixo Guandu, no Espírito Santo.
Fonte: milhagas.com.br / Daily Mail















