A Polícia Civil do Espírito Santo já identificou 16 vítimas de um esquema de golpes e extorsões atribuído a um casal preso em Colatina, no Noroeste do Estado. Segundo as investigações, os crimes teriam ocorrido ao longo de seis meses, com prejuízo estimado em pelo menos R$ 600 mil.
Os suspeitos foram identificados como Camila Francis da Silva, de 31 anos, e Washington Henrique dos Passos, de 37 anos. Uma terceira pessoa, Wilza de Lima Alves, de 40 anos, também foi detida por suposta participação no esquema. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil.
De acordo com o delegado Erick Lopes Esteves, Camila é apontada como líder do grupo, enquanto Washington e Wilza atuavam no apoio às ações criminosas. Conforme a investigação, Camila utilizava fotos próprias para criar perfis em sites de encontros, com o objetivo de atrair vítimas — muitas delas casadas e com filhos.
Após ganhar a confiança das pessoas com quem conversava, a suspeita passava a ameaçá-las, exigindo dinheiro. As intimidações incluíam a promessa de “acabar com a vida” das vítimas, a ameaça de expor conversas a familiares e, em alguns casos, o envio de vídeos de pessoas sendo executadas, usados para intensificar o medo e garantir os pagamentos.
Vítimas em diferentes cidades do Estado
Até o momento, a Polícia Civil confirmou 16 vítimas identificadas, residentes em diversos municípios do Espírito Santo. O primeiro caso que deu origem à investigação foi registrado em Vila Valério, município localizado a cerca de 107 quilômetros de Colatina, onde o trio acabou sendo detido.
As apurações seguem em andamento, e a polícia não descarta a possibilidade de novas vítimas serem identificadas, já que muitas pessoas podem deixar de denunciar por medo ou constrangimento.
A defesa de Camila e Washington informou que ainda não teve acesso integral aos documentos do inquérito policial. Em nota, o advogado Anderson Aldori afirmou que a prioridade, neste momento, é garantir o acompanhamento legal dos interrogatórios e compreender o escopo exato das acusações contra seus clientes.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Wilza de Lima Alves. O espaço permanece aberto para manifestação.
Segundo a polícia, Wilza, que é beneficiária do programa Bolsa Família e trabalha como diarista, teria emprestado seus dados bancários para a movimentação do dinheiro obtido com as extorsões, auxiliando diretamente na prática criminosa.
Vida de luxo bancária pelos golpes, aponta investigação
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o padrão de vida elevado mantido por Camila e Washington. Mesmo sem emprego formal, o casal ostentava nas redes sociais viagens e bens de alto valor, principalmente Camila.
Ela publicava registros em destinos turísticos como Maragogi (AL) e Jericoacoara (CE), além de imagens em cenários internacionais, como Dubai, e fotos relacionadas a procedimentos estéticos.
De acordo com a Polícia Civil, esse estilo de vida era financiado com o dinheiro obtido nos golpes. Durante a operação, foram apreendidos na residência do casal relógios, óculos e perfumes importados, dinheiro em espécie e um veículo avaliado em cerca de R$ 120 mil.















