Agora

Crise silenciosa na Saúde de Colatina expõe falha grave de comunicação do Conselho com a sociedade

Omissão na análise de contas levou MPES à Justiça e colocou em risco mais de R$ 239 milhões em recursos; população ficou sem qualquer explicação oficial

Por ES Fala
· 3 min de leitura · Sem comentários
Crise silenciosa na Saúde de Colatina expõe falha grave de comunicação do Conselho com a sociedade

Uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) contra o município de Colatina e membros do Conselho Municipal de Saúde de Colatina escancarou não apenas uma possível paralisia institucional, mas também uma grave incapacidade do conselho de se comunicar com a sociedade sobre decisões que afetam diretamente a vida da população.

Segundo o MPES, o conselho teria se omitido, de forma consciente, na obrigação de deliberar sobre a prestação de contas dos recursos da saúde referentes ao 2º e 3º quadrimestres de 2024, além do Relatório Anual de Gestão (RAG). A inércia impediu a validação das informações no sistema DigiSUS e criou um risco real de bloqueio de mais de R$ 239 milhões em repasses federais e estaduais.

Esses recursos são fundamentais para a manutenção de serviços essenciais, como o Samu, hospitais filantrópicos, programas de vacinação e outras ações básicas do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Ainda assim, nenhuma explicação clara foi apresentada à população, que permaneceu alheia à gravidade da situação.

Justiça intervém diante do risco de colapso

Diante do cenário, o Judiciário deferiu, no dia 19 de dezembro, pedido de tutela de urgência determinando que o secretário municipal de Saúde convocasse, em até 10 dias úteis, uma reunião extraordinária do conselho, com pauta exclusiva para deliberar sobre os relatórios pendentes. A decisão obriga os conselheiros a cumprirem sua função institucional, emitindo pareceres técnicos fundamentados para que o município possa regularizar imediatamente os dados no DigiSUS.

Como forma de pressionar o cumprimento da ordem, foi fixada multa diária de R$ 100 mil, a incidir pessoalmente sobre cada conselheiro e também sobre o secretário de Saúde, em caso de novo descumprimento. A Justiça ainda autorizou que, caso a paralisia persista, o prefeito de Colatina declare a vacância dos cargos dos conselheiros omissos e promova a recomposição imediata do órgão.

Falta de transparência agrava a crise

Além das sanções financeiras, os envolvidos foram advertidos de que a resistência à ordem judicial pode resultar em responsabilização por crimes de prevaricação, desobediência e atos de improbidade administrativa.

O ponto mais sensível, no entanto, vai além do embate jurídico. Em nenhum momento o Conselho Municipal de Saúde veio a público explicar por que não deliberou, quais seriam as divergências técnicas ou por que deixou a situação chegar a esse nível. A ausência de comunicação reforça a percepção de um órgão fechado, distante da sociedade que deveria representar.

Versão da Secretaria de Saúde

Em manifestação, o secretário municipal de Saúde afirmou que o Relatório Anual de Gestão foi apresentado mais de uma vez, inclusive na Câmara Municipal. Segundo ele, as falhas apontadas pelo MPES ocorreram porque o conselho não emitiu o parecer técnico no sistema DigiSUS, apesar de as apresentações terem sido realizadas dentro do prazo legal.

Por fim, o Portal de Notícias ES FALA informa que entrou em contato com a presidência do Conselho Municipal de Saúde de Colatina e com membros da mesa diretora, solicitando oficialmente uma nota explicativa sobre as causas da omissão apontada pelo Ministério Público e os motivos que levaram o órgão a não deliberar sobre relatórios essenciais para a manutenção da saúde pública. Até o fechamento desta reportagem, nenhuma resposta foi enviada. “O silêncio, mais uma vez, fala alto: mostra a inércia, o desprezo pela transparência e a completa incapacidade do conselho de se comunicar com a sociedade que deveria representar. Em um cenário que envolve o risco de bloqueio de centenas de milhões de reais e ameaça serviços vitais, a ausência de qualquer posicionamento público não é apenas lamentável — é inaceitável e agrava ainda mais a crise institucional exposta pela Justiça”, relata um ex-conselheiro que preferiu não se identificar.

Compartilhe esta notícia

Sem comentários

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de aparecer.

Mais em Saúde

As notícias da semana no seu e-mail

Todo fim de semana, o resumo do que mais importou em Colatina, no Noroeste e no Espírito Santo. Grátis, e dá para sair quando quiser.