De Pau Gigante a capital do pastel: como Ibiraçu construiu sua identidade turística

Entre fé, gastronomia e natureza, município do Norte do ES se consolida como destino turístico às margens da BR-101

Quem percorre o Norte do Espírito Santo pela BR-101 dificilmente passa por Ibiraçu sem notar um de seus maiores cartões-postais. Às margens da rodovia, uma imponente estátua de 35 metros de altura se destaca na paisagem e anuncia ao visitante que ali há muito mais do que um simples ponto de parada: trata-se do Buda Gigante, a segunda maior estátua do mundo dedicada à figura budista.

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Mas Ibiraçu vai muito além do monumento. Conhecida nacionalmente como a Capital Capixaba do Pastel, a cidade reúne gastronomia consagrada, roteiros religiosos, história centenária e belezas naturais que transformam o município em um destino completo para quem busca cultura, fé e sabores típicos do Espírito Santo.

De Pau Gigante a Ibiraçu: uma história que nasce das árvores

Antes de receber o nome atual, Ibiraçu foi conhecida como Pau Grande entre os anos de 1892 e 1943. A denominação fazia referência a uma imensa árvore jequitibá que marcava a paisagem local e impressionava moradores e viajantes. Há registros históricos que apontam que a árvore possuía cerca de 60 metros de altura, sendo tão larga que quatro homens, de braços abertos, não conseguiam abraçá-la por completo.

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Fundada originalmente em 11 de setembro de 1891, com o nome de Guaraná, a localidade passou por diferentes denominações até adotar definitivamente o nome Ibiraçu — palavra de origem guarani que significa justamente “árvore grande”, preservando simbolicamente sua ligação com a natureza e a história.

O Buda Gigante e o maior mosteiro zen da América Latina

O principal símbolo turístico do município é a estátua do Buda Gigante, instalada na entrada do Mosteiro Zen Morro da Vargem, considerado o maior mosteiro zen-budista da América Latina.

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A obra levou mais de um ano para ser concluída e utilizou cerca de 350 toneladas de ferro, aço e concreto. Com seus 35 metros de altura, o monumento só perde em tamanho para o Buda de Leshan, patrimônio histórico da Unesco, e supera o Cristo Redentor, que possui 30 metros, sem considerar o pedestal.

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Buda Gigante se tornou um dos principais pontos turísticos do ES/Redes sociais

A inauguração oficial ocorreu em agosto de 2021, após adiamentos causados pela pandemia da Covid-19. Para os moradores, o monumento representa orgulho e desenvolvimento turístico. “É ponto turístico de Ibiraçu agora. É parada para todo mundo. E quem quiser vir é bem-vindo”, resume o mecânico Edson Pereira.

A estátua pode ser visitada a qualquer horário, enquanto o mosteiro abre para visitação aos domingos, a partir das 8h.

Capital Estadual do Pastel: tradição que atravessa gerações

Com cerca de 12 mil habitantes, Ibiraçu conquistou em 2019 o título oficial de Capital Estadual do Pastel, reconhecido por lei promulgada pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo. O título homenageia um dos maiores símbolos gastronômicos da cidade: o tradicional pastel de vento, servido quase sempre acompanhado de caldo de cana.

Às margens da BR-101, pastelarias com receitas que ultrapassam meio século de tradição atraem viajantes de todo o país. Segundo registros oficiais, a culinária local fez com que Ibiraçu fosse reconhecida nacionalmente por possuir algumas das melhores pastelarias do Brasil, utilizando produtos naturais e métodos artesanais.

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Restaurante e pastelaria Califórnia é a pioneira na BR 101/Redes sociais

Para quem busca experiências espirituais, o município abriga o Circuito Caminhos da Sabedoria, um roteiro de 108 quilômetros que promove um diálogo simbólico entre o Budismo e o Cristianismo. O trajeto tem início na Igreja Matriz de São Marcos e se encerra no Santuário de Nossa Senhora da Saúde.

Ao longo do percurso, o visitante encontra templos, capelas, igrejas e imagens religiosas que reforçam a vocação de Ibiraçu como destino de turismo religioso e de contemplação.

Um dos pontos mais emblemáticos é a Igrejinha da Pedra, também conhecida como Capelinha de Santo Antônio. Construída no topo de uma rocha às margens da BR-101, a pequena capela branca se destaca na paisagem e carrega uma história de fé e superação.

A construção foi idealizada por Diógenes Antônio Vescovi Modenezi, morador da cidade que, após cerca de dez anos de tratamento contra o câncer, foi considerado curado em 1997. Em agradecimento, decidiu erguer a capela como demonstração de devoção e gratidão.

Natureza preservada e refúgios pouco conhecidos

Além da fé e da gastronomia, Ibiraçu também reserva surpresas para quem aprecia a natureza. Um exemplo é a Cascata de Ibiraçu, um recanto ainda pouco explorado, cercado por mata atlântica preservada, ideal para quem busca tranquilidade e contato direto com o meio ambiente.

Com cachoeiras, trilhas, paisagens rurais e clima acolhedor, o município vem se consolidando como um destino que une simplicidade, identidade cultural e potencial turístico.

Entre o passado de Pau Grande, a imponência do Buda Gigante e o sabor inconfundível do pastel com caldo de cana, Ibiraçu reafirma seu lugar no mapa turístico do Espírito Santo — não apenas como ponto de passagem, mas como destino que convida o visitante a parar, conhecer e voltar.

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